Gratidão: a receita para a felicidade

A palavra gratidão tem origem no latim gratia, que significa graça. Segundo o filósofo romano Cícero, “a gratidão não é apenas a maior das virtudes, mas a mãe de todas as outras”. É um dos sentimentos mais nobres da humanidade, que no sentido mais restrito, é o ato de reconhecimento ou de apreciação (a alguém) que lhe prestou um benefício, e numa dimensão mais ampla é aceitar e valorizar, a bênção de estar vivo e, tudo o que vida nos proporciona.

A gratidão está associada à espiritualidade e são várias as religiões (budismo, catolicismo, judaísmo, islamismo) que ensinam o poder de agradecer. Neste contexto, ser grato é acolher todas as experiências com abertura, aceitando as dádivas e os desafios inevitáveis da vida. Ao cultivarmos essa emoção, ficamos conectados com a energia mais pura do Universo, e alcançamos, mais facilmente, a tão desejada paz interior.

Robert Emmons é o maior perito e investigador do mundo em sentimentos de “Gratidão”. Professor de Psicologia na Universidade da Califórnia e autor de vários livros, Emmons argumenta que cultivar a gratidão inspira bondade, altruísmo e mudanças transformadoras na nossa vida. De acordo com estudos oriundos de várias ciências (sociologia, psicologia positiva e neurociências), cultivar o hábito da gratidão produz múltiplos benefícios para o indivíduo e para a sociedade. Na esfera individual, ativa e fortalece a componente física, e contribui para aumentar a sensação de bem-estar emocional. Níveis elevados de gratidão foram associados a menor angústia, maior satisfação na vida, e aumento da felicidade. Sentir e manifestar gratidão melhora as relações humanas e consolida o respeito e a confiança entre indivíduos. Quando cultivada pela mente, a gratidão protege contra pensamentos e emoções negativas, minimizando o ressentimento, a frustração, o arrependimento e a inveja. Constata-se, assim, que a ciência vem comprovando o que o senso comum sabe há muito tempo.

Sobre este tópico, partilho o episódio curioso que motivou a criação da canção “Count Your Blessings (instead of sheep)”, escrita pelo americano Irving Berlin, em 1954, e inserida na banda sonora do filme “White Christmas”. Consta que o compositor estaria com problemas de insónia, devido ao “stress”, e que o seu médico, num ato de compaixão, lhe terá sugerido que, antes de adormecer, contasse as suas bênçãos, em vez de carneiros. Esta recomendação, para cultivar a gratidão, originou uma canção de sucesso nomeada, na categoria de melhor canção, para um prémio Óscar da Academia Americana de Artes e Ciências Cinematográficas, em 1955. Aconselho, vivamente, a sua audição.

Em resumo, o exercício da gratidão é um hábito saudável, que devia tornar-se num ritual incorporado, e espontâneo, na nossa maneira de ser. É motivo de contentamento e felicidade, favorecendo, em certo grau, a compreensão sobre a nossa efémera existência.

Finalizo, exprimindo o mais profundo sentimento de gratidão à vida, pelas pessoas que me apresenta, pelas oportunidades mágicas que me oferece e, também pelos contratempos que estimulam a minha evolução pessoal, e me tornam mais humana. Obrigada VIDA!