600 anos da Madeira e a UE nos últimos 30 anos

Depois do início do povoamento, um processo faseado em que participaram pessoas de todo o reino, a Madeira apresenta-se como uma região próspera e em constante desenvolvimento.

Evoluímos da exclusividade dos ciclos do açúcar, do vinho e dos cereais, para o investimento na saúde, na educação, no turismo, nos transportes e, sobretudo, em infraestruturas de desenvolvimento urbano. Este processo de transformação da Região Autónoma da Madeira foi acelerado nos últimos 30 anos com a integração de Portugal na União Europeia (UE). Desde que Portugal aderiu à UE, em 1986, a Região já beneficiou de 3.826 milhões de euros.

Para a celebração dos nossos 600 anos, não quero apenas salientar exemplos de modernização da região, como os 240 milhões para o alargamento do aeroporto da Madeira em 1995, os 27 milhões desbloqueados para a via expresso ao Porto do Funchal, os 76 milhões destinados à intervenção dos troços principais das Ribeiras do Funchal, ou, ainda, como os 35,2 milhões recebidos em consequência das cheias de 2010 e dos incêndios do ano de 2016. Quero sobretudo direcionar a nossa atenção e consciência para o investimento menos visível que, desde 1986 até hoje, representou um impacto significativo no aumento da qualidade de vida dos madeirenses. Refiro-me, por exemplo, aos 11,2 milhões do atual Programa Operacional para a Inclusão Social e Emprego, que impulsiona a integração e combate a exclusão social. Refiro-me, também, às verbas aplicadas a projetos de centros comunitários e instituições de ensino, ao investimento em 14 centros de saúde, aos 179 milhões de euros para o Fundo Agrícola de Desenvolvimento Rural, aos 28,3 milhões para os Assuntos Marítimos e, claro, ao importante crescimento e desenvolvimento da nossa Universidade. Daqui, curiosamente, saiu um dos homens que mais sabe sobre os 600 anos da história da Madeira, o Professor Rui Carita que tanto escreve sobre nós. Vale a pena espreitar o trabalho desenvolvido pela Académica da Madeira, através do projecto “Herança Madeirense”. O legado da nossa cultura passa também, forçosamente, pelos investimentos europeus que resultaram em mais oportunidades para os madeirenses, em mais qualificação, numa maior diversidade nas suas opções profissionais e numa maior garantia de serviços públicos de qualidade. Lembremo-nos também que 2018 é o Ano Europeu do Património Cultural. O seu objetivo é chamar a atenção para o papel da cultura e do património no nosso desenvolvimento sustentável local, social e económico.

Celebrar a cultura madeirense é continuar a proporcionar essa abertura ao outro em comunhão com a nossa história. O povoamento continua a fazer-se, apenas mudou o tamanho do reino de onde provêm as pessoas. É agora um território de dimensão europeia globalizado e a Madeira é, cada vez mais, um lugar de união de culturas e de gentes que nos enche de orgulho. Aproveitemos a memória dos 600 anos da nossa região tomando consciência de todo o caminho percorrido, também com e na Europa. Esta é uma altura de resiliência e de defesa do projecto europeu. O nosso percurso é longo como povo. O do povo da União é ainda bastante jovem. Resistimos à ditadura e ao despotismo. Defendemos a Liberdade e a Justiça por Portugal. É chegado o momento de fazermos o mesmo pela Europa. JM

REFERÊNCIAS:

https://www.jm-madeira.pt/regiao/ver/14286/JM-Edicao_Impressa_30_anos_de_fundos_europeus_mudaram_a_Madeira_Desporto_Combate_ganho https://www.pressreader.com/portugal/s%C3%A1bado/20180412/284404149724066

http://www.madeira600.pt/pt-pt/historia