Não nos deixemos enganar

A Madeira é juridicamente uma colónia.

Afastada do território continental da República Portuguesa e apesar de o Povo Madeirense, no presente, não alimentar quaisquer intuitos separatistas, o Estado português impede a Autonomia Política várias vezes pretendida pelo Parlamento da Madeira que é o legítimo representante da vontade democrática deste mesmo Povo.

Depois do que o Estado nos sonegou durante séculos.

Tal obstaculização colonialista não assenta em quaisquer argumentos solidamente fundamentados. Nem sequer, ao menos, permite um debate livre e sério entre as partes.

Não sendo o regime político português da Constituição de 1976 rigorosamente uma Democracia, mas sim uma partidocracia - por exemplo, veja-se o monopólio dos Partidos na apresentação de candidaturas aos Parlamentos nacional e regionais, bem como o processo de designação dos juízes do Tribunal Constitucional - não sendo a República Portuguesa rigorosamente uma Democracia, a partidocracia funciona instrumentalmente para asfixiar os Direitos do Povo Madeirense, ao sabor das estratégias partidárias nacionais de cada momento.

É sempre a mesma “história”. Veja-se a agitação na Catalunha que muda ao sabor da côr não só dos respectivos Governos regionais mas também dos Governos de Madrid.

Na República Portuguesa, ao correr da História recente, os partidos que se autorotulam de “esquerda” funcionaram sempre como travão de Lisboa contra os Direitos, Liberdades e Garantias do Povo Madeirense, numa exibição descarada de incoerência vigarista ante o património político-cultural daquilo que universalmente constitui a Esquerda autêntica!

E neste momento a Região Autónoma corre o risco de cair nas mãos dos serventuários de uma Lisboa colonialista que já nem esconde o seu triunfalismo público de julgar poder anular a Autonomia nas eleições regionais de 2019. Contam com que nos afogaremos, tontos, na mediocridade do imediatismo, do “politicamente correcto” e do assistencialismo.

E a questão é muito simples.

Se, à trágica maneira madeirense, nos perdemos nas críticas e antipatias pessoais, nas questões secundárias, na submissão ao que vem de fora, arriscamos-nos a que todo o salto que conseguimos com a Autonomia, tudo isto seja perdido para as mãos de quem sempre obstaculizou a mesma Autonomia.

Para mim, a questão não é o PSD, o Miguel Albuquerque ou o “núcleo duro” de um grupo chamado de “renovadinhos”. Todos sabem que defendo inadiavelmente transformações que se imponham.

A QUESTÃO É O FUTURO DE UMA AUTONOMIA QUE TEM DE SER AINDA MAIOR.

A questão é saber se desgraçadamente o Povo Madeirense se suicidará politicamente, mergulhado numa ingenuidade pateta e na irracionalidade do “diz-se, diz-se”, deixando-se comprar por sacos de arroz, por pacotes de leite, por cestinhos de fruta, por subsídios inadmissíveis, etc, etc, e outras gorjetas.

O Povo Madeirense merecerá, ou não, ser justamente considerado um Povo Superior?

Os nossos adversários colonialistas beneficiam de poderosas máquinas de propaganda externa e interna, por vezes sofisticadamente disfarçadas e cumpliciadas.

Há que os contrariar com a REALIDADE. Esta, sim, fundamenta qualquer apreciação RACIONAL e impede que sejamos injustos:

- por exemplo, ao nos imporem uma dupla austeridade em 2012, os colonialistas, nesse ano, provocaram uma forte recessão na Madeira.

Mas a recuperação do nosso Produto Interno Bruto deu-se logo em 2013.

E em 2014 a Região cresceu 2 por cento (0,9 no Continente e 0,7 nos Açores).

Em 2015, o crescimento foi de 1,6%. E de 0,9% em 2016, ano em que a Madeira atinge o seu recorde de PIB per capita, no valor de dezassete mil euros por pessoa, sendo a parte portuguesa em que tal PIB per capita mais cresce entre 2012 e 2016.

Com o rendimento disponível bruto das famílias a crescer 3,5% de 2014 para 2015.

E se trago aqui estes números, é para defesa da Autonomia Política conquistada e para contrabalançar propagandas injustas que visam derrotar tudo o que de autonomista conseguiu sobreviver às “GRANDES MANOBRAS” de 2012 para cá.

Não preciso de “brincar aos Partidos”.

Coloco-me, sim, numa bipolorização:

• De um lado, estão as organizações políticas democráticas. Do outro, estão as três organizações políticas comunistóides com ainda representação no Parlamento madeirense, bem como a extrema-direita, também lá ainda capitalista e exoticamente sobrevivente, reserva dos exploradores da “Madeira Velha”.

• Sobretudo: de um lado estão os que Autonomistas. Do outro, os que cúmplices do colonialismo lisboeta.

O resto é conversa para nos enganar. JM