Desabafo de um Finalista Universitário

O que farei depois da licenciatura? Será que fiz a escolha acertada? Conseguirei entrar no mestrado que pretendo? Será preferível fazer uma pausa nos estudos, com o objectivo de aperfeiçoar a minha experiência profissional?

Estas são algumas das muitas perguntas que passam pela mente de um estudante universitário a terminar a sua licenciatura. Por vezes o receio do futuro pode ser algo muito inquietante, uma vez que não sabemos o que o mesmo nos reserva. Particularizando à minha experiência universitária, posso partilhar com vocês que, no início deste último ano ao terminar a minha licenciatura de três anos, em Ciência Política e Relações Internacionais na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade NOVA de Lisboa, estas perguntas começaram a surgir com uma certa frequência.

Quando entrei no curso, os meus objectivos eram terminar a licenciatura com sucesso e, mais tarde, aprofundar os meus conhecimentos na área, através de um mestrado. Nesta fase, em comparação com o processo de candidatura para a licenciatura, a rigidez aumenta, bem como a incerteza de sermos aceites e de completarmos uma série de requisitos necessários para integrar um mestrado.

Numa vertente mais pessoal, os nossos pais, familiares e amigos, confrontam-nos com perguntas relacionadas com o contributo do mestrado para o mercado de trabalho. Estas perguntas são motivadas pela preocupação dos que nos são próximos, no entanto, na maioria das vezes, provocam em nós sentimentos como ansiedade e o desassossego, transformando o nosso cérebro num jogo de “tetris”, na qual as várias peças representam as várias ideias e pensamentos. Em ambas as situações a dificuldade de encaixe é elevada.

Indo mais além, recordo que a opção de continuar os estudos, após o décimo segundo ano, é também uma decisão muito importante, principalmente para os que pretendem continuar o seu percurso fora da Ilha. É difícil “abrir as asas” para alargar os horizontes e descobrir o que é o Mundo fora da protecção dos pais e do meio que nos rodeia habitualmente. Uma coisa é certa, longe daqueles que nos protegem, temos de ser nós a aprender a lidar com os novos desafios que a sociedade apresenta e quando uma mente adolescente entra num ambiente com uma velocidade muito superior ao que está habituada e se defronta com situações inusuais é muito complicado.

Nestes dois anos e meio que vivi em Lisboa, ganhei um enorme carinho pela cidade e apercebi-me que esta oferece muitas mais oportunidades do que a Ilha, devido a factores como a dimensão geográfica e a, consequentemente, maior oferta de empregos. Assim surge a necessidade de começarmos a traçar o nosso próprio caminho.

Em suma, posso acrescentar que, embora a minha família me tenha sempre apoiado nas decisões que fiz até hoje, sinto por vezes alguma melancolia, ao perceber que não estarei presente em tantos momentos quanto os que desejaria e que perderei algumas datas especiais.

Ainda assim, a vida exige-nos escolhas e, na minha opinião, temos de fazer determinadas renúncias, para poder alcançar bens maiores.