“Feminismo não é uma luta contra os homens, é uma luta de direitos iguais”

O dia 8 de Março não se esgota em si mesmo. Resume-se a uma data simbólica de uma luta de séculos, de conquistas pela igualdade de direitos entre os géneros. E reforça-se o teor da igualdade que se reivindica: a tão óbvia não diferença no que respeita a direitos humanos, como realidade efectiva! Desde as mártires sufragistas, às republicanas portuguesas, às mulheres que foram mortas numa fábrica, em Nova Iorque ou às Três Marias portuguesas, as reivindicações nunca se pautaram contra o género masculino nem tão pouco pelo desejo das mulheres serem iguais aos homens. Na verdade, as feministas, que ainda hoje são denominadas de forma pejorativa, lutaram pelo seu género, sim, para que se igualassem as condições de trabalho e os salários das mulheres aos dos homens, quando o trabalho era igual; para que tivessem igual acesso à educação e ao voto; mas também lutaram pelo direito ao voto dos homens que como elas estavam coibidos de votar; pelos direitos das crianças; pelo abolicionismo e contra o racismo, entre outras causas que fazem da nossa circunstância humana uma condição unitária. É isto o feminismo: um movimento humanitário que pugna pelos direitos humanos, indiscriminadamente, porque “todos temos o direito a ser iguais, sem que a diferença nos inferiorize; e o direito a sermos diferentes, sem que a igualdade nos descaracterize”. O feminismo não mata; nunca matou. O machismo mata; todos os dias. Tem mesmo assumido proporções de calamidade pública, cuja acção criminosa atenta torpemente contra a elementaridade dos direitos das Mulheres, sobretudo em contextos de conjugalidade. Mas não só, a violência contra as Mulheres alarga-se, em múltiplas expressões, para fora do contexto conjugal, e são muitos os casos de agressões contra as ex-companheiras. Ou seja, num quadro de afastamento, que teoricamente precederia um recomeço de vida para cada um dos conjugues, em separado, o machismo afirma-se, desferindo desfechos dramáticos que dizima a vida a dezenas de mulheres, todos os anos. A Madeira foi palco recente de um desses quadros, que vitimizou uma Mulher, mas também os filhos dos envolvidos. É que a violência de género, torna igualmente vítimas, os filhos menores dos envolvidos!

Recentes dados do Relatório Anual de Segurança Interna, apontam mesmo para o aumento de queixas de violência doméstica registadas na Região, e para taxas de incidência criminal maiores, sendo as mulheres o principal alvo desta forma de violência, numa desproporção considerável, embora seja de relevar o também crescente número de queixas por indivíduos do género masculino.

​Não, obstante o esforço e preocupação que esta matéria tem merecido por parte da sociedade e de vários órgãos políticos, os números não tendem a diminuir como seria expectável em qualquer sociedade que se paute por preceitos cívicos e avanço civilizacional, e onde seria natural e tão óbvio que “dizer meu homem fosse a igual a dizer minha mulher”!