Os desafios das tecnologias nas famílias

A tecnologia deve ser utilizada com moderação e algumas regras.

A internet fez emergir uma nova cultura e uma nova forma de comunicarmos. Devido à evolução tecnológica, atualmente a comunicação entre jovens, e alguns adultos, é feita através de mensagens (SMS ou WhatsApp), redes sociais, vídeos e uma grande maioria é através de fotografias com uma breve legenda ou com emojis. Tendo em conta esta realidade, é possível concluirmos que as tecnologias afetaram a dinâmica da comunicação das famílias. Hoje, os jovens têm mais facilidade em falar com os amigos, fazendo com que passem mais tempo “distraídos” ao telemóvel, o que poderá potenciar discussões e desacordos entre pais e filhos, principalmente na fase da adolescência.

Ser pai ou mãe de um adolescente é um desafio diário de persistência, dúvidas, inseguranças, alegrias e angústias, mas acima de tudo, um trabalho de amor, compreensão e paciência. Esta fase “turbulenta” e instável, pode ser causadora de conflitos no meio familiar, pois os jovens tendem a desobedecer e a testar os limites dos progenitores.

Alguns pais queixam-se que os jovens são “desleixados e não querem saber de nada” ou que “estão sempre agarrados ao telemóvel”, os jovens, por seu lado, também se queixam de pais ausentes, desligados e com pouca disponibilidade ou atenção para ouvi-los.

Quando se procura alguém para falar, contar o dia ou simplesmente brincar, e esse alguém não se demonstra disponível, a tendência é canalizar essa necessidade para alguém que esteja recetivo. E quando esta necessidade é frequentemente menosprezada, os jovens deixam de recorrer aos pais. Eventualmente os pais apercebem-se que os jovens já “não querem saber de nada” e que “estão sempre agarrados ao telemóvel” ou simplesmente, deixaram de lhes contar o que se passa nas suas vidas e só falam com os amigos.

Para contrariar esta tendência, e fortalecer as relações com os seus filhos, os pais podem se adaptar a esta realidade. A tecnologia deve ser utilizada com moderação e algumas regras. Por exemplo, à hora da refeição, o telemóvel não deve estar à mesa (inclusive o dos pais), para que seja um momento de partilha entre todos. Não é necessário ter horários fixos e rígidos para utilizar as tecnologias, desde que não seja em coincidência com as tarefas diárias e o estudo. Outro exemplo é a utilização do telemóvel antes de dormir, pois além de estar comprovado que afeta a qualidade do sono, os jovens terão a tendência de estar sempre “online”. No entanto, não devem ser só regras. Os pais também devem se interessar pelos gostos dos filhos e valorizar os conhecimentos tecnológicos dos mesmos, pedindo, por exemplo, dicas sobre aplicações, para troca de mensagens/fotografias, ou para partilharem e descobrirem interesses em comum. O mais importante é aproveitar momentos de qualidade com os seus filhos, sendo possível utilizar as tecnologias como um veículo de entretenimento e fortalecimento das relações familiares, desde que estas sejam utilizadas de forma positiva e comedida.