Cheias nas zonas ribeirinhas de Porto e Gaia previsíveis até sábado

Lusa

As inundações em zonas ribeirinhas do rio do Douro, no Porto e Vila Nova de Gaia, deverão persistir ao longo do dia de hoje e no sábado, devido à necessidade de descargas das barragens, advertiu hoje a Autoridade Marítima.

Em conferência de imprensa realizada numa das zonas atingidas, em Miragaia, no Porto, o comandante Cruz Martins, da Capitania do Douro, disse que, depois da preia-mar, verificada às 09:30, a maré começou a vazar.

“Nessa altura, iremos incrementar a descarga de barragens porque é necessário descarregar toda a água acumulada”, afirmou.

Deste modo, a nível da água - “que na zona de Miragaia atingiu 80 centímetros e é provável que chegue a um metro, antes de descer” - poderá voltar a subir.

“É expectável que durante todo o dia de hoje e o dia de amanhã [sábado] tenhamos situações pontuais de alagamentos nestas zonas que já estão identificadas. As populações estão prevenidas para estas ocorrências”, alertou.

Cruz Martins disse que a descarga de barragens no Douro está a ser coordenada entre entidades portuguesas e espanholas e “no sentido de provocar o mínimo de inundações”.

“Se não houvesse esta coordenação, provavelmente o nível de água já estaria em dois ou três metros”, acrescentou.

O comandante recordou que as águas do Douro não atingiam as zonas ribeirinhas destas duas cidades vizinhas desde 2006.

O rio Douro galgou hoje as margens e inundou zonas ribeirinhas do Porto e de Vila Nova de Gaia, como zonas pedonais e o Areinho e a Afurada.

A passagem da depressão Elsa, em deslocação de norte para sul, provocou em Portugal dois mortos, um desaparecido e deixou 70 pessoas desalojadas, registando-se até à manhã de hoje mais de 6.200 ocorrências.

Num balanço feito à agência Lusa cerca das 09:00 de hoje, o comandante Paulo Santos, da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), disse que foram registadas 6.237 ocorrências desde quarta-feira, afetando em especial os distritos de Porto, Viseu e Lisboa.

O responsável destacou como ocorrências principais as quedas de árvores, movimentos de terras, inundações e quedas de estruturas. O mau tempo provocou também danos na rede elétrica, afetando a distribuição de energia a milhares de pessoas, em especial na região Centro.

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) tem hoje sob aviso laranja (o segundo mais grave) 12 distritos de Portugal continental e a costa norte da Madeira devido sobretudo à agitação marítima. Leiria, Santarém e Portalegre estão sob aviso laranja também devido às previsões de precipitação forte durante a tarde.

O IPMA alertou para os efeitos de uma nova depressão, denominada Fabien, que atingirá Portugal no sábado, em especial o Norte e o Centro, estando previstos intensos períodos de chuva e vento forte de sudoeste, com rajadas que podem atingir 90 km/hora no litoral norte e centro e 120 km/hora nas terras altas.

Segundo o IPMA, os efeitos da depressão Fabien não deverão ter em Portugal continental a mesma intensidade do que os da tempestade Elsa, prevendo-se uma melhoria gradual do estado do tempo a partir de domingo.