Portugal é dos países europeus mais afetados pela pobreza energética

Lusa

Portugal é um dos países europeus mais afetados pela pobreza energética, segundo a Rede Europeia de Ação Climática, que defende que o país precisa de uma verdadeira mudança, nomeadamente no que diz respeito à eficiência energética dos edifícios.

Num relat√≥rio divulgado hoje, a Rede Europeia de A√ß√£o Clim√°tica (CAN-Europe) analisa as propostas de Planos Nacionais de Energia e Clima (PNEC) de 24 pa√≠ses da Uni√£o Europeia, com contributos de associa√ß√Ķes ambientalistas com trabalho na √°rea do clima, no caso de Portugal a associa√ß√£o Zero.

A CAN-Europe chama a aten√ß√£o que Portugal √© dos pa√≠ses da Uni√£o Europeia mais afetados pela pobreza energ√©tica e que, por isso, o seu PNEC ‚Äúdeveria avaliar o desafio e definir medidas para melhorar o conforto t√©rmico e reduzir as contas de energia‚ÄĚ.

O objetivo é ajudar os mais afetados pela pobreza energética, principalmente em agregados familiares com baixos rendimentos.

Por outro lado, a organiza√ß√£o diz que em Portugal, tal como na √Āustria e na B√©lgica, faltam medidas para uma verdadeira mudan√ßa e acrescenta que s√£o precisas medidas mais desenvolvidas ao n√≠vel da efici√™ncia energ√©tica especialmente dos edif√≠cios.

No que diz respeito ao setor da constru√ß√£o civil, a CAN-Europe refere que algumas das medidas previstas, como o programa ‚ÄúCasa Eficiente‚ÄĚ, est√£o alinhadas com o Plano Nacional de A√ß√£o para a Efici√™ncia Energ√©tica, mas t√™m mostrado ser insuficientes para reduzir o consumo de energia.

‚Äú√Č preciso que sejam descritas medidas espec√≠ficas em detalhe e quantificadas para se perceber porque haver√° melhores resultados em 2030‚ÄĚ, l√™-se no relat√≥rio.

Relativamente √† quest√£o dos transportes, a terceira recomenda√ß√£o, a CAN-Europe refere que o setor representa 25% das emiss√Ķes nacionais, mas o esbo√ßo do PNEC tem falta de detalhe e de quantifica√ß√£o relativamente a esta √°rea.

‚ÄúH√° uma aposta na eletrifica√ß√£o do transporte rodovi√°rio, mas n√£o se percebe como √© que v√£o ser ultrapassadas as barreiras √† introdu√ß√£o dos carros el√©tricos‚ÄĚ, refere a organiza√ß√£o, que critica o facto de n√£o haver refer√™ncia a outros meios de transporte de uso intensivo de carbono, como a avia√ß√£o ou a navega√ß√£o.

Em comunicado, a Zero refere que o relat√≥rio da CAN-Europe mostra que ‚Äú√Č hora de acelerar o passo!‚ÄĚ e que apesar de, no geral, os planos preliminares dos 24 pa√≠ses n√£o cumprirem as metas do Acordo de Paris, ainda h√° tempo para que sejam melhorados.

De acordo com a ZERO, a CAN-Europe destaca o facto de Portugal, a par da Su√©cia, Dinamarca, Holanda, Finl√Ęndia e a Fran√ßa terem como objetivo alcan√ßar emiss√Ķes l√≠quidas nulas at√© 2045 ou 2050, o mais tardar.

J√° a Bulg√°ria, Rom√©nia, Pol√≥nia e Gr√©cia ainda dependem fortemente do carv√£o, enquanto a It√°lia e a Irlanda planeiam continuar a investir em g√°s f√≥ssil at√© 2030 e ap√≥s 2030, apesar da proposta da Comiss√£o Europeia para a meta de zero emiss√Ķes de gases com efeito de estufa at√© 2050.

A Zero explica que os países da União Europeia tiveram de preparar os PNEC e apresentá-los à Comissão Europeia até 31 de dezembro de 2018, devendo a versão final ser entregue até ao dia 31 de dezembro de 2019.

A Comiss√£o Europeia est√° agora a avaliar os PNEC preliminares e at√© junho dever√° apresentar recomenda√ß√Ķes aos Estados-membros que n√£o contribuam de forma suficiente para alcan√ßar os objetivos. Os planos finais dos pa√≠ses dever√£o ter em conta estas recomenda√ß√Ķes.

O plano preliminar de Portugal define como objetivo a redu√ß√£o das emiss√Ķes globais para 37,8 milh√Ķes de toneladas ano de di√≥xido de carbono equivalente (MtCO2e) com as medidas propostas, uma meta mais ambiciosa do que os 41 MtCO2e a serem alcan√ßados com as medidas existentes.

No entanto, ‚Äún√£o esclarece qual √© o n√≠vel espec√≠fico de emiss√Ķes que corresponde aos setores fora do Com√©rcio Europeu de Licen√ßas de Emiss√£o (CELE)‚ÄĚ.

Além disso, Portugal define também como meta 47% de energia renovável para 2030, começando com uma quota de 31% em 2020.