Marcelo adverte para frustração com justiça lenta e pede aos políticos que sejam exemplo

O Presidente da República advertiu hoje para a frustração dos cidadãos com a lentidão da justiça na punição da corrupção e pediu aos políticos que sejam um exemplo, antes e depois de exercerem funções.

"É essencial que seja normal que quem exerça cargos públicos não saia deles mais rico do que entrou, nem saia para lugares que se prestem a ser pagamento de favores anteriores, nem se rodeie de parentes e próximos", defendeu o chefe de Estado, acrescentando: "Nem permitam a correligionários e amigos condutas em funções que deveriam ser inspiradoras e que são intoleráveis para o comum dos mortais”.

Numa conferência que assinalou os dez anos do Conselho de Prevenção da Corrupção, na Fundação Champalimaud, em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou, por outro lado, que "a legítima impaciência dos portugueses aumenta a ritmo imparável de dia para dia" face à lentidão da justiça.

Segundo o Presidente da República, "essa impaciência é alimentada pelas elevadas expectativas suscitadas quanto à rápida conclusão de investigações criminais abertas e pelas subsequentes frustrações".

"É preciso que a desilusão não esvazie os balões de esperança que o anúncio do arranque de processos conhece quando se percebe que só terminarão uma ou duas gerações mais tarde", defendeu, alertando para os danos que a falta de punição ou a punição tardia provoca na prevenção da corrupção.