Industriais de pasta e papel criticam proibição de plantação de eucalipto

A CELPA – Associação da Indústria Papeleira defende que a proibição de plantação de novas áreas de eucalipto é um “enorme prejuízo para a economia portuguesa”, além de não ter fundamentação técnico-científica.

Num anúncio publicado hoje na imprensa, um dia depois do debate da reforma das florestas no parlamento, a associação vem criticar a decisão governamental de proibir a plantação de novas áreas de eucalipto com base numa “ideia errada e preconceituosa”.

“A fileira industrial baseada no eucalipto tem sabido aproveitar os recursos naturais de que o país dispõe […] utilizando uma espécie bem adaptada, e tem-no feito de forma exemplar, responsável e com total respeito pelo ambiente”, argumentou a CELPA, defendendo que a proibição “prejudica os produtores florestais, provoca perda de competitividade da indústria da pasta e papel e contrai a economia do país”.

Em contrapartida, a associação garante que a proibição “reduz as áreas com gestão, promove o abandono e o crescimento de áreas de matos e incultos e aumentará o risco de incêndio (49% da área ardida nos últimos 15 anos são matos ou incultos e 13% são eucalipto)”, “não se resolve o problema das demais espécies” e deverá fazer aumentar as importações de madeira.

Com base no eucalipto, a indústria de pasta e papel nacional é “líder na exportação de bens de elevado valor acrescentado nacional”, pelo que “limitar a matéria-prima mais importante da indústria papeleira é afetar de forma dramática a sua competitividade e a balança comercial do país”, além de “destruir milhares de postos de trabalho”.

“Esta reforma não forma consenso no seio das principais organizações de produtores florestais”, acrescentou ainda a CELPA, que afirma não haver fundamentação técnico-científica válida para proibir a plantação de eucalipto.

Uma das propostas do executivo em discussão diz respeito à alteração do regime jurídico das ações de arborização e rearborização, para “reforçar os mecanismos de comunicação entre todas as entidades e criar regras para o cultivo do eucalipto”.

Lusa