Dezenas concentram-se em Lisboa a exigir a “libertação dos presos políticos”

Lusa

Várias dezenas de pessoas concentraram-se hoje junto ao Consulado de Espanha em Lisboa para exigir a “libertação dos presos políticos” da Catalunha, considerando que existe uma “judicialização” dos acontecimentos.

“Defendemos a libertação dos presos políticos, pelo facto não ter fundamento jurídico nas acusações e o nosso comité nasce da indignação de catalães e portugueses com ligações à Catalunha. Depois do que aconteceu na sexta-feira, resolvemos convocar esta concentração”, disse Catarina Oliveira, do recém-criado Comité de Defesa da República Catalã em Lisboa.

Os manifestantes concentraram-se junto ao consulado com uma faixa e vários cartazes a defender a “Liberdade dos Presos Políticos”, entoando vários cânticos de apoio a Carles Puigdemont, contra a justiça espanhola e a pedir a demissão de Mariano Rajoy, presidente do governo espanhol.

“O crime de rebelião no regime jurídico espanhol implica violência, o que não ocorreu. Todo o movimento independentista catalão tem sido um movimento pacifico. Houve uma judicialização destes acontecimentos e nunca houve uma tentativa de resolver este conflito de forma política”, afirmou a porta-voz do comité.

A responsável referiu que “compreende” a posição do governo português, mas lembra que a Constituição portuguesa defende a “autodeterminação dos povos”.

Presentes na concentração estiveram também responsáveis do Bloco de Esquerda, referindo que estão solidários porque está é uma questão de “autodeterminação e do direito de os cidadãos decidirem o rumo da sua região”.

“Existem 13 presos políticos em território europeu. É inaceitável e inacreditável que não exista uma tomada de posição séria sobre o que o estado espanhol está a fazer e temos visto muita violência da polícia sobre manifestações pacificas. Foram eleitos livremente, só podemos estar solidários e fazer pressão para que existe uma posição dos vários governos e parlamentos”, disse Isabel Pires, deputada do BE.

A deputada acrescentou que a União Europeia e Parlamento Europeu “ainda não tiveram uma palavra forte” sobre o que se está a passar na Catalunha, anunciando que na quinta-feira vão apresentar um voto no parlamento para que “se apele à libertação dos presos políticos”.

O líder independentista catalão Carles Puigdemont, detido na Alemanha no domingo, vai permanecer em prisão preventiva, indicou hoje à agência AFP uma porta-voz do tribunal.