Investigadores desenvolvem dispositivo que permite monitorizar aves remotamente

Lusa

Uma equipa de investigação internacional, da qual fazem parte cientistas do Porto, criou uma tecnologia para monitorizar remotamente aves durante um ano, sem a necessidade de recaptura dos animais para recolha de dados durante esse período.

Esta solução, desenvolvida no âmbito do projeto 'Movetech Telemetry', permite coletar informações sobre a localização das aves com uma precisão de poucos metros, a velocidade com que se deslocam e a altitude, disse à Lusa o investigador do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO-InBIO) da Universidade do Porto, João Paulo Silva.

A tecnologia dispõe ainda de um sensor para medir a temperatura e de um acelerómetro 3D que faz leituras da aceleração nos três eixos, possibilitando definir "com rigor" a posição do equipamento.

É "um pouco como o telemóvel, que vira o ecrã em função da sua orientação", explicou à Lusa o investigador da instituição do Porto envolvida no projeto.

De acordo com João Paulo Silva, responsável pela coordenação da componente científica e de desenvolvimento de ‘software' do 'Movetech Telemetry', "ao ser programado para obter várias leituras consecutivas do acelerómetro e GPS, permite inferir o comportamento do animal naquele momento e local".

Os sensores podem ser programados de forma flexível, com diferentes regimes de obtenção de dados para dois períodos do dia, do local onde as aves estão inseridas ou da voltagem da bateria incorporada.

A dimensão do aparelho, segunda indica, permite visualizar e estudar aves com dimensões reduzidas - com cerca de 600 gramas - sendo uma mais-valia especialmente para as mais difíceis de recapturar.

Embora esta tecnologia esteja disponível apenas para as aves, os investigadores já estão a trabalhar nos primeiros protótipos para mamíferos.

"As coleiras que permitem o seguimento dos linces em Portugal, por exemplo, são um desenvolvimento da Movetech, em colaboração com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), que está agora a ser usado também em alguns linces libertados em Espanha", acrescentou.

A ideia para esta tecnologia, que foi desenvolvida ao logo de cinco anos, começou durante o projeto de pós-doutoramento de João Paulo Silva, período no qual foi realizado o estudo dos movimentos e do comportamento do sisão.

Para além do CIBIO-InBIO, o 'Movetech Telemetry' conta com a participação da Universidade de East Anglia, do Reino Unido, da organização British Trust for Ornithology (BTO) e do Centro de Ecologia, Evolução e Mudanças Ambientais (cE3C) da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.