Problemas de sono têm "relação direta" com a violência e a criminalidade

Na próxima quinta-feira é celebrado o ‘Dia Europeu da Vítima de Crime’, sendo os problemas de sono algo que vítimas e criminosos podem ter em comum, refere Teresa Paiva, neurologista, responsável pelo Centro de Medicina do Sono (CENC).

Teresa Paiva, neurologista, responsável pelo Centro de Medicina do Sono (CENC) e uma das organizadoras do Lisbon Sleep Summit explica que a relação entre sono e comportamentos violentos ou criminosos acontece de várias formas: “as vítimas de crime sofrem ou de stress agudo (insónia, flasbacks, irritabilidade, ansiedade, dificuldades de memória e de concentração, fadiga) ou de stress pós-traumático com insónia complexa, pesadelos graves e depressão e fadiga. Outras sentem desrealização, negação, ou sentido de injustiça (porquê a mim?) ou raiva, rancor ou vingança. Já as vítimas passivas, como por exemplo os habitantes de uma zona onde houve um crime, têm problemas de sono na noite seguinte: adormecem mais tarde e têm disrupções na produção de cortisol (principalmente as crianças). E quem assiste a atos violentos ou ações terroristas tende a ter insónia transitória e inclusão dos conteúdos violentos nos sonhos nos dias subsequentes”.

“Já a privação de sono associa-se a maior prevalência de comportamentos violentos”, refere a especialista. “Isto foi provado num estudo nacional com adolescentes portugueses”. Teresa Paiva refere ainda que “há doenças do sono com comportamentos violentos. O sonambulismo, os distúrbios comportamentais do sono REM (rapid eye movement) e algumas epilepsias noturnas podem ter comportamentos muito violentos não intencionais. E estes factos podem ser usados criminalmente para desculpabilizar criminosos reais”.

Sono e violência” será um dos temas em debate no “Lisbon Sleep Summit”, um congresso internacional que decorrerá de 16 a 19 de maio em Lisboa e cujo tema será, na sua primeira edição “O sono nas mulheres”.