Incêndios: Bispos apelam para revisão profunda da relação com o meio ambiente

O cardeal patriarca de Lisboa Manuel Clemente apelou hoje para a revisão profunda da relação entre a sociedade e o meio ambiente, face às consequências humanas e materiais dos incêndios florestais e da seca que atinge o país.

"Dadas as graves e gravosas circunstâncias que afetaram e afetam o nosso país, entre os incêndios e a seca, com tantas perdas de vidas e danos materiais de toda a ordem, temos de rever profundamente a nossa relação com o meio ambiente", disse Manuel Clemente, intervindo na sessão inaugural da assembleia plenária da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), que decorre em Fátima até quinta-feira.

Manuel Clemente lembrou que, naquilo que respeita à ‘natureza física', os recentes incêndios florestais "reforçaram tragicamente" aquilo que a Conferência Episcopal Portuguesa disse em abril - numa nota pastoral intitulada "Cuidar da Casa Comum - Prevenir e Evitar os Incêndios" - dando "ainda mais urgência" ao tema.

"É fundamental que todos olhemos a natureza não como uma simples fonte de utilidade e rendimento económico e por isso facilmente sujeita a explorações de tal modo desordenadas que a destroem totalmente. Até mesmo por não nos ser possível viver sem ela, há que respeitá-la e valorizá-la, na sua bondade, harmonia e equilíbrio, como um dom que recebemos e um legado que devemos esforçar-nos por transmitir às gerações futuras", declarou o cardeal patriarca.

Acrescentou que os católicos, "como a sociedade em geral, acompanharam quanto se passou [nos incêndios] com solidariedade e oração".

"Muitos sofreram diretamente as consequências, em vidas e haveres. Com os seus pastores, organizações (paróquias, Cáritas, misericórdias e outras) compartilharam penas e trabalhos e continuam a fazê-lo, para a reconstrução de vidas, habitações e o mais que importa", frisou o presidente da CEP.

O cardeal patriarca lembrou ainda a encíclica papal ‘Laudato si' onde o papa Francisco apela para a "ecologia integral": "A falta de preocupação por medir os danos à natureza e o impacto ambiental das decisões é apenas o reflexo evidente do desinteresse em reconhecer a mensagem que a natureza traz inscrita nas suas próprias estruturas", escreveu Francisco.

Para Manuel Clemente, respeitar a natureza, proteger a vida e atender aos pobres são atitudes conexas da referida ecologia integral a que se referiu o papa.