Operação Marquês em destaque em toda a imprensa nacional

O Ministério Público acusou, ontem, José Sócrates pela prática de um total de 31 crimes, entre crimes de corrupção passiva de titular de cargo político, branqueamento de capitais, falsificação de documentos e fraude fiscal qualificada.

​O despacho de acusação do Ministério Público sobre a ‘Operação Marquês’, que ontem foi tornado público, visa 28 arguidos, dos quais nove empresas, acusados de um total de 188 crimes, num documento que tem cerca de quatro mil páginas.

Segundo uma nota da Procuradoria-Geral da República (PGR), ao longo do inquérito, cujo principal arguido é o ex-primeiro-ministro José Sócrates, foram efetuadas mais de duas centenas de buscas, inquiridas mais de 200 testemunhas e recolhidos dados bancários sobre cerca de 500 contas, em Portugal e no estrangeiro.

Foram também autorizadas e transcritas mais de 2.600 escutas e enviadas nove cartas rogatórias para diversos países, entre os quais Suíça e Angola.

Ao longo do processo, o Ministério Público (MP) proferiu nove despachos de arquivamento em relação aos arguidos Paulo Lalanda e Castro (ex-administrador da Octapharma), Joaquim Paulo da Conceição (grupo Lena) e ao advogado João Abrantes Serra.

Foram igualmente extraídas 15 certidões, com vista à investigação criminal em processo autónomo.

A PGR tinha adiantado, em março, que o processo, investigado durante mais de três anos por dez magistrados do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), era formado por 91 volumes e 452 apensos e reunia uma extensa prova documental e digital, da qual faziam parte mais de três mil documentos em suporte de papel e 13.500 milhões de ficheiros informáticos.

​No âmbito deste processo, estiveram detidos preventivamente José Sócrates, o empresário e amigo do ex-primeiro-ministro Carlos Santos Silva e o antigo motorista de Sócrates João Perna.

O ex-administrador do grupo Lena Joaquim Barroca esteve em prisão domiciliária com pulseira eletrónica.