Açores consideram "perfeitamente concretizável" criação de centro de segurança atlântica

O presidente do Governo açoriano afirmou hoje ser uma proposta "lógica e perfeitamente concretizável" a criação de um Centro de Segurança Atlântica na Base das Lajes, na ilha Terceira, nos Açores.

“Acho que é uma proposta lógica e perfeitamente concretizável. Vem no sentido da valorização da ilha Terceira e da valorização da importância estratégica dos Açores, é uma das vias de concretizar e de dar sentido prático a essa importância”, sublinhou Vasco Cordeiro.

O ministro da Defesa, Azeredo Lopes, propôs na terça-feira ao secretário da Defesa norte-americano, James Mattis, a criação de um Centro de Segurança Atlântica na Base das Lajes.

Azeredo Lopes disse que a "ideia já tinha sido referida inicialmente, de forma embrionária", mas que "Portugal já a tem muito mais trabalhada neste momento."

O novo centro poderia formar não só oficiais portugueses, mas também de outros países interessados na segurança do Atlântico.

O membro do Governo precisou que o centro "não estaria, necessariamente, sob jurisdição da NATO, embora possa vir a ser, no futuro, reconhecido como um centro de excelência da Aliança Atlântica."

Durante o encontro no Pentágono, que excedeu a duração inicialmente prevista, o secretário da Defesa norte-americano, James Mattis, respondeu de forma positiva à proposta.

Hoje, em declarações aos jornalistas à margem da cerimónia de abertura do ano lectivo, no concelho de Vila Franca do Campo, Vasco Cordeiro sustentou que o executivo regional "acompanha muito de perto o trabalho que está a ser feito" e enalteceu o facto de o Governo da República estar "a cumprir" com aquilo que consta do Plano de Revitalização Económica da Ilha Terceira que "é a proposta de soluções aos Estados Unidos da América para reforçar e concretizar a importância estratégia que os Açores, e em concreto a ilha Terceira, tem no Atlântico".

"Esta é uma proposta que há algum tempo que está em cima da mesa. Aliás, ela surge em 2015 quando no âmbito de uma pretensão da criação de um centro de segurança para o Golfe da Guiné foi sugerido que se localizasse nas Lajes, na ilha Terceira", referiu, considerando "positivo o trabalho" que está a ser feito e "a persistência de construir e de concretizar soluções".

E, "naturalmente que há um conjunto de informações que serão também dadas a conhecer ao Governo regional, mas esse trabalho é positivo", acrescentou.

A administração norte-americana anunciou, em janeiro de 2015, uma redução de cerca de 500 militares na base das Lajes e o consequente despedimento de 400 trabalhadores portugueses.

Entre 2015 e 2016 abandonaram a infraestrutura militar, na ilha Terceira, cerca de 450 trabalhadores portugueses civis, que assinaram rescisões por mútuo acordo, com direito a indemnização e reforma antecipada.