Pais de alunos de duas escolas no Alentejo recuam no boicote às aulas

Os pais dos alunos das escolas de Viana do Alentejo e Estremoz (Évora) que ameaçaram boicotar hoje o início das aulas, em protesto contra a redução de turmas decidida pelo Ministério da Educação, recuaram na iniciativa.

Em Viana do Alentejo, Cláudia Lobo, presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação deste agrupamento, explicou hoje à agência Lusa que, numa reunião realizada na terça-feira à noite, foi decidido não avançar com a ação de protesto.

“Houve pais que queriam fazer o boicote e outros não concordaram. Por isso, decidimos não avançar com o protesto, mas estamos a equacionar outras medidas, nomeadamente seguir pela via judicial”, disse.

Já em Estremoz, constatou a agência Lusa no local, o início da manhã do primeiro dia de aulas decorreu com normalidade. Os pais chegaram com os filhos à Escola EB2,3 Sebastião da Gama e entraram no estabelecimento, participando na reunião de apresentação.

A Lusa tentou contactar o presidente da Associação de Pais do Agrupamento de Estremoz, Luís Eustáquio, que tinha anunciado que o boicote estava decidido e aprovado, mas o telemóvel deste responsável esteve sempre desligado.

As associações de pais e encarregados de educação destas duas escolas alentejanas ameaçaram, na terça-feira, boicotar hoje as aulas, no primeiro dia do ano letivo, em protesto contra a redução do número de turmas decidida pelo Ministério da Educação.

Os responsáveis das associações alegam que o ministério, através da Direção de Serviços da Região Alentejo (DSRA) da Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGESTE), homologou turmas e, posteriormente, “recuou na decisão e mandou refazer e reduzir o número de turmas”.

As turmas refeitas, acusam, “violam normas emanadas pelo próprio Ministério da Educação”, pois, ficaram “com mais de dois alunos com Necessidades Educativas Especiais (NES) de tipo 1 e com um número de alunos superior ao permitido”.

Na escola de Estremoz, disse Luís Eustáquio, “foram aprovadas e afixadas quatro turmas de 5.º ano, mas, já em agosto, foi dada ordem para que fossem reduzidas para três”, o que motivou desagrado por parte dos pais e um abaixo-assinado de protesto.

Na Escola Básica e Secundária Dr. Isidoro de Sousa, em Viana do Alentejo, relatou Cláudia Lobo, também foi promovido um abaixo-assinado pela associação de pais, depois de a homologação de “três turmas de 5.º e três turmas de 7.º ano” ter sido alterada pelo ministério, que, posteriormente, autorizou apenas “duas turmas de cada ano de escolaridade”.

“É todo o processo pedagógico e a aprendizagem que ficam postos em causa”, devido à decisão, que se prende apenas “com uma visão economicista, para poupar dinheiro em professores, sem qualquer preocupação em relação às crianças”.