TAP: Plano tem por base previsões desatualizadas e entrega em Bruxelas deve ser adiada

Lusa

O Sindicato dos Pilotos de Aviação Civil (SPAC) escreveu ao Governo apelando para que se negoceie com Bruxelas o adiamento da apresentação do Plano de Reestruturação da TAP, denunciando que este está baseado em previsões de mercado "completamente desatualizadas".

Numa mensagem enviada hoje aos associados, a que a Lusa teve acesso, a dar conta da carta enviada ao ministro das Infraestruturas e Habitação, Pedro Nuno Santos, datada de 30 de novembro, o SPAC garante que da reunião que teve com a administração da companhia houve um ponto que "ficou absolutamente claro": "todo o Plano se baseia numa previsão de evolução de mercado que se encontra completamente desatualizada".

"As projeções de evolução do mercado subjacentes ao Plano datam de outubro de 2020, e nelas não se encontram refletidas as evoluções recentes da situação da pandemia Covid-19, designadamente o impacto da descoberta das vacinas e dos planos de vacinação que se encontram neste momento em elaboração", escreve o sindicato ao ministro.

A reunião com a administração da TAP, no passado dia 27 de novembro, teve como intuito apresentar algumas informações sobre o futuro Plano de Reestruturação da companhia. Este plano, elaborado pela consultora Boston Consulting Group (BCG), no âmbito do apoio estatal de até 1.200 milhões de euros, tem de ser entregue à Comissão Europeia até 10 de dezembro.

Da reunião "apressada e pouco esclarecedora", começa por contar o SPAC, "as poucas informações prestadas são claramente insuficientes, face às exigências de prestação de informação que resultam da Lei, não permitindo nem perceber o modelo empresarial que a TAP irá desenvolver no futuro; nem avaliar da necessidade e da proporcionalidade das medidas extraordinariamente gravosas anunciadas relativamente à classe dos Pilotos".

Face ao exposto, o SPAC considera que o Plano desenhado "é absurdamente restritivo, implicando cortes selvagens nos quadros de pessoal de voo, justificados por uma projeção minimalista de utilização da frota".