A ministra da Saúde afirmou hoje que é a menos popular dentro do Governo de acordo com critérios da comunicação social, mas contrapôs que não confunde popularidade com responsabilidade e não depende de barómetros.
Estas posições de Ana Paula Martins no congresso do PSD, em Anadia, distrito de Aveiro, foram acompanhadas por uma prolongada salva de palmas, de pé, por parte dos delegados do partido, tal como tinha acontecido momentos antes durante a intervenção da ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho.
Numa intervenção em que defendeu a necessidade de mudanças “urgentes” na saúde e em que advogou a existência de uma melhoria em alguns indicadores neste setor, Ana Paula Martins referiu-se de forma algo surpreendente à sua própria situação política dentro do executivo PSD/CDS.
“Enquanto Governo, sabemos o que precisamos de fazer na saúde e eu, pessoalmente, tenho a consciência de que, segundo a comunicação social, sou a ministra menos popular deste Governo. Mas sempre assumi que governar não implica ser popular, implica ser responsável”, afirmou, recebendo então uma prolongada salva de palmas.
A titular da pasta da Saúde disse depois que não confunde “popularidade com responsabilidade” e foi mais longe: “Não dependo de barómetros para agradar a quem comenta no espaço público”.
“Aceito com humildade todas as críticas, mas, enquanto estiver em funções, cumprirei o programa do Governo, sob a liderança firme do nosso primeiro-ministro, Luís Montenegro, sempre corajoso, sempre solidário, sempre confiante na sua equipa”, elogiou.
A cabeça de lista da AD por Vila Real nas últimas eleições legislativas fez ainda questão de dizer, embora sem, especificar os seus alvos, que o executivo do qual faz parte “não pactuará com a fraude, com a inércia e com os interesses instalados ao longo dos anos”.
“Não vou dar boas notícias à oposição, porque deixaremos o Serviço Nacional de Saúde em melhores condições do que aquelas que encontramos”, acrescentou na parte final de uma intervenção em que reivindicou ter aumentado o número de médicos de família em Portugal, mas em que também falou nos efeitos da pressão migratória no setor da saúde.
“As circunstâncias que vivemos, com o aumento populacional brusco - causado pelo acolhimento de imigrantes que entraram no país sem regras e sem humanismo, a que acresce a existência de redes organizadas que se aproveitam da bondade da democracia e de negócios ilegais assentes nas ineficiências dos sistemas de saúde de outros países -, fazem com que o esforço e o sucesso que temos tido no aumento do número de médicos de família pareça não existir. Mas esse aumento existe, é real e vai continuar a ser real nos próximos meses”, defendeu.
Ana Paula Martins disse depois que “as reformas necessárias na saúde exigem foco, exigem coragem, pois muitas vezes vão contra interesses estabelecidos de ordem política, corporativa ou empresarial”.
“O PSD sempre governou em tempos difíceis, enfrentando interesses instalados e sempre promoveu o desenvolvimento económico e a justiça social”, acentuou.
Antes desta intervenção da ministra da Saúde, o vice-presidente da bancada do PSD António Rodrigues elogiou a ação das forças de segurança em Portugal e dos bombeiros, num breve discurso em que também defendeu a necessidade de uma imigração regulada.
“A ausência de controlo da imigração cria insegurança e estimula as redes de criminalidade organizada. E quem mais sofre são muitas vezes os próprios imigrantes”, advertiu António Rodrigues.
Em matéria de ação do Grupo Parlamentar do PSD na presente legislatura, o coordenador dos sociais-democratas na Comissão de Assuntos Constitucionais elogiou o papel que tem sido desempenhado pelo presidente da sua bancada, Hugo Soares.