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Profissionais de educação de Setúbal em greve no dia 02 de junho

Data de publicação
21 Maio 2026
12:12

Cerca de 300 profissionais de educação que participaram hoje num protesto convocado pelo Sindicato de Todos os Profissionais da Educação (STOP) em Setúbal decidiram convocar uma greve nas escolas do concelho para 02 de junho.

A decisão de avançar com a paralisação na véspera da greve geral nacional marcada para 03 de junho foi aprovada durante um plenário realizado junto à Câmara Municipal de Setúbal, no âmbito do protesto, convocado pelo sindicato para denunciar a falta de profissionais nas escolas do concelho, a exemplo de outras iniciativas do STOP em diversos pontos do país.

O coordenador interino do sindicato, Daniel Martins, acredita que a adesão à ação de protesto realizada hoje de manhã - iniciada na Escola de Aranguez e seguida de um desfile pelas ruas da cidade que terminou na Praça do Bocage, em frente à Câmara Municipal de Setúbal - reflete o descontentamento dos profissionais de educação.

“O protesto está ótimo, acho que há mais de três centenas de pessoas aqui”, afirmou o dirigente sindical, salientando que a mobilização demonstra a preocupação da comunidade escolar com “a falta de assistentes operacionais nas escolas”.

“Os rácios atualmente definidos para assistentes operacionais não são justos, uma vez que têm apenas em conta o número de alunos e não as necessidades específicas de acompanhamento de crianças com necessidades educativas especiais”, sublinhou.

O dirigente sindical salientou ainda que, durante o primeiro período, houve escolas em Setúbal que tiveram de encerrar devido à falta de assistentes operacionais e alertou para situações em que “alguns estabelecimentos de ensino ficam sem vigilância nos recreios”.

“Se um aluno cair, partir a cabeça, partir uma perna, não vai haver quem os acompanhe”, afirmou, lembrando que “muitos assistentes operacionais desempenham funções para além das previstas, atuando como enfermeiros, psicólogos e apoio em sala de aula, apesar de receberem salários próximos do salário mínimo ao longo da carreira”.

Além da necessidade destes profissionais, o representante deu conta da falta de assistentes técnicos e de docentes, reafirmando tratar-se de uma situação da responsabilidade do Governo, que acusou de transferir para as autarquias competências relacionadas com a contratação de assistentes operacionais e manutenção das escolas sem assegurar as verbas necessárias.

O coordenador interino do STOP criticou ainda a possibilidade de aumento da despesa militar, considerando que isso poderá traduzir-se em cortes nos setores sociais, incluindo saúde e educação.

“Ou se gasta em despesa militar para destruir, ou se gasta em educação e em saúde para educar, para formar e desenvolver o país”, concluiu.

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