Nas margens da cidade do Porto, o calor e a primeira edição do Air Invictus trouxeram para as ruas milhares de pessoas, que vão enchendo todos os recantos com sombra e as esplanadas da Ribeira à Alfândega.
Às 15:00, do lado do Porto pelas ruas que desaguam até à Ribeira, eram muitos aqueles que, vindos do metro e da Estação de São Bento, seguiam na mesma direção até à beira-rio para ver as acrobacias aéreas agendadas para daí a meia hora.
Catarina Pinto e o filho Miguel, de sete anos, vieram da Póvoa de Varzim e, embora animados, descem a Mouzinho da Silveira com as expectativas contidas.
“Nunca assisti a nada deste género. Se estiver a ser ‘fixe’, vemos um bocado, se não voltamos para trás, não é filho?”, diz Catarina, que não sabe “o que esperar” da primeira edição do Air Invictus e a quem o bom tempo trocou as voltas.
A mãe, que veio “do nevoeiro e do frio da Póvoa”, está apetrechada de casacos que acabaram atados à cintura, enquanto se certifica que Miguel não tira o chapéu.
“Apesar dos avisos, com este calor todo é que eu não contava ... estava tão fresco lá”, confessa.
No Muro dos Bacalhoeiros, as britânicas Claire, Sarah e Vicky, do condado de Somerset, escondem-se do sol, mas as bochechas rosadas e os ombros escaldados denunciam que já o deviam ter feito mais cedo.
“Não fazíamos ideia de que isto ia acontecer, vimos um panfleto perto do nosso alojamento e fomos pesquisar o que era”, partilha com a Lusa Sarah.
A duas horas de terem de seguir para o Aeroporto Francisco Sá Carneiro para o voo de regresso a casa, a inglesas garantem que vão esticar o tempo: “nós continuamos ainda sem saber bem o que se passa, mas agora só saímos daqui depois de vermos os aviões”, brinca Claire.
Pelas 16:00, do Arquivo Histórico Municipal até à Alfândega não era difícil percorrer as ruas, apesar das sombras e das margens estarem bem preenchidas.
“A nível de pessoas isto nem se compara a quando foi o Red Bull [Air Race]”, diz Leandro Santos, que viveu a vida toda na Ribeira.
Este ano, contudo, Leandro vê o espetáculo enquanto comerciante, à porta do seu restaurante e casa de fados – o “Mal Cozinhado” – onde diz à Lusa que, ao início da tarde, as vendas “continuavam iguais”.
“É um dia melhorado a nível de take-away porque as pessoas passam aqui para levar um fino ou uma bifana no pão, mas não é uma faturação por aí além. Vê-se muita gente que já vem preparada de casa com comida e cadeiras para se sentarem”, descreve.
E se antes as ruas pareciam estar a encher de forma tímida, às 16:30 percebia-se que não passava da falta de pontualidade portuguesa, já que o número de pessoas a aproximar-se das margens do rio ia multiplicando e sobravam cada vez menos cadeiras nas esplanadas.
Pelo rio Douro, as acrobacias aéreas duram até às 20:15.
Ainda é cedo para fazer balanços deste evento, que arrancou na sexta-feira e dura até domingo, mas organização estima que o Air Invictus atraia cerca de um milhão de visitantes ao Porto, Gaia, Maia e Matosinhos, esperando que nos três dias haja um retorno económico superior a 100 milhões de euros.