O setor dos pequenos frutos em Portugal mais do que triplicou o valor das exportações na última década, atingindo 398 milhões de euros em 2025, impulsionado sobretudo pela produção de framboesa, segundo o presidente da Portugal Fresh, Gonçalo Santos Andrade.
“Em termos de exportações, o setor valia cerca de 85 milhões de euros há 10 anos e tem vindo sempre a crescer”, afirmou o responsável à Lusa, sublinhando que o aumento tem sido “consistente e significativo”, com o valor a ultrapassar os 200 milhões de euros em 2018, os 250 milhões em 2022 e aproximar-se dos 300 milhões em 2023, até chegar aos atuais 398 milhões.
Segundo o mesmo, o crescimento do setor está ligado, por um lado, à procura internacional, com destaque para mercados da União Europeia (UE) e, por outro, à valorização de dietas mais saudáveis.
“Há uma tendência muito grande por parte dos consumidores em procurarem dietas equilibradas, à base destes produtos, o que cria potencial para continuarmos a crescer”, referiu.
As exportações portuguesas de pequenos frutos destinam-se, principalmente, à União Europeia, com mercados como Espanha, França, Alemanha e Países Baixos entre os principais destinos, além do Reino Unido.
Nos últimos anos, países do Médio Oriente, como os Emirados Árabes Unidos, têm também registado “um aumento relevante”.
Segundo dados fornecidos à Lusa pela Portugal Fresh, no caso da framboesa, o valor das exportações atingiu cerca de 258 milhões de euros em 2025, com um preço médio de 8,65 euros por quilo.
Espanha surge como o principal mercado de destino, concentrando 32% do total, seguida da França, com 20%, dos Países Baixos, com 19%, e da Alemanha, com 13%. A grande maioria das exportações, cerca de 96%, destina-se a países da UE.
Relativamente aos mirtilos, o valor exportado atingiu 53 milhões de euros em 2025, com um preço médio de 6,59 euros por quilo. Espanha lidera também, com 37% das exportações, seguida da França (25%), dos Países Baixos (17%) e da Alemanha (6%). Tal como na framboesa, o mercado europeu absorve cerca de 96% das exportações.
O morango teve uma expressão residual, entre 1% e 2%.
A produção concentra-se, sobretudo, no sudoeste alentejano, região que tem sido determinante para a expansão da fileira, beneficiando de condições climáticas que permitem assegurar produção ao longo de todo o ano.
“Portugal é o único país na Europa que consegue produzir framboesas e amoras 52 semanas por ano, o que nos dá uma vantagem competitiva clara”, afirmou, explicando que, apesar de outros países iniciarem a produção mais cedo em termos de volume, a produção nacional distingue-se pela continuidade ao longo do ano.
Ainda assim, apesar do crescimento Gonçalo Santos Andrade alertou para os principais desafios do setor, colocando a disponibilidade de água como a principal preocupação.
“Se me perguntar quais são os três principais desafios, digo que o primeiro é a água, o segundo é a água e o terceiro é a água”, sublinhou, defendendo investimento em infraestruturas de armazenamento e gestão hídrica.
O responsável sublinhou a importância de concretizar projetos anunciados pelo Governo, como o reforço de barragens e sistemas de regadio, lembrando que apenas cerca de 15% da superfície agrícola em Portugal tem acesso a regadio.
Apesar das dificuldades, o presidente da Portugal Fresh mostrou-se otimista quanto ao futuro, considerando que os pequenos contribuem para a dinamização económica e fixação de população em territórios de baixa densidade.
“O agroalimentar tem ganho peso na economia e já representa uma parte relevante das exportações nacionais”, destacou.
O responsável considerou ainda que o destaque dado aos pequenos frutos na Feira Nacional de Agricultura (FNA 26), que decorre em Santarém entre 6 e 14 de junho, reflete a importância estratégica desta fileira para a agricultura nacional, “tanto ao nível da produção como das exportações e do emprego”.