A onda de calor que afeta atualmente partes da Europa, incluindo Portugal, constitui uma chamada de atenção para as consequências devastadoras das alterações climáticas, afirmou hoje o secretário executivo da ONU para as Alterações Climáticas.
“Esta última onda de calor na Europa é um forte lembrete das crescentes consequências humanas e económicas da crise climática. O principal culpado é a dependência mundial da queima de carvão, petróleo e gás, assim como a desflorestação”, disse Simon Stiell numa declaração à agência noticiosa France-Presse.
Todos os distritos de Portugal continental, com exceção de Faro, estão hoje e quinta-feira sob aviso amarelo devido à previsão de tempo quente, indicou o Instituto Português do Mar e da Atmosfera.
O IPMA adiantou que o tempo quente se vai manter em Portugal continental com temperaturas elevadas, estando praticamente todo o território em onda de calor, prevendo para os próximos dias para várias regiões do país perigo de incêndio muito elevado e elevado.
Além de Portugal, países como Espanha, França, Irlanda, Reino Unido, Áustria e República Checa estão a ser atingidos por uma onda de calor, com temperaturas recorde para maio.
Stiell referiu que “muitas outras regiões do mundo também estão a ser severamente afetadas, como a Índia e outras partes da Ásia”, salientando que “a ciência é clara: as alterações climáticas provocadas pelo homem estão a tornar estas ondas de calor mais frequentes e mais extremas”.
O serviço meteorológico francês registou um novo recorde mensal de temperatura para o país na terça-feira, com um indicador nacional consolidado de 24,9 graus Celsius (°C), tendo o Reino Unido batido o seu recorde de dia mais quente já registado em maio no mesmo dia.
Na Índia, persiste uma onda de calor, com um pico de 47,4°C registado na terça-feira em Banda, uma cidade no norte do estado de Uttar Pradesh, e o governo está a pedir à população que poupe água, segundo a AFP.
O responsável da ONU sublinhou que a guerra no Médio Oriente ilustra também “os custos exorbitantes da dependência das importações de combustíveis fósseis”, enquanto “as soluções são igualmente claras: uma transição mais rápida para a energia limpa”.
A propósito, reiterou o apelo para o fim da dependência do carvão, petróleo e gás e para um maior investimento “no reforço da resiliência face aos impactos climáticos”.