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Rede social W lançada hoje é europeia e pretende competir com a X

Data de publicação
17 Junho 2026
22:17

A rede social W, criada por uma empresa sueca para competir com a X utilizando um modelo “totalmente europeu”, alinhado com os objetivos de soberania tecnológica da UE, foi hoje lançada, em fase de testes.

Esta nova plataforma assenta no mesmo protocolo da Bluesky, outra rede social criada em 2019 pelo cofundador do antigo Twitter, Jack Dorsey, e foi desenvolvida pela W Social, uma companhia com sede na Suécia e dirigida por “uma equipa pan-europeia de empreendedores e investidores” de diversos setores, segundo a empresa.

“Estamos sediados na Europa, temos as infraestruturas e os centros de dados na Europa, operamos ao abrigo da legislação europeia e só os europeus podem ser acionistas da empresa”, afirmou a diretora executiva (CEO) da W Social, Anna Zeiter, numa apresentação em Bruxelas.

O modelo de negócio da rede social W assenta em duas fontes de receitas: publicidade, em conformidade com a Lei de Serviços Digitais (DSA) da UE e com os regulamentos de proteção de dados; e “micropagamentos” feitos pelos utilizadores, explicou Zeiter.

A W atribui especial importância à verificação da humanidade dos utilizadores, bem como ao respeito da privacidade, em contraste com os ‘bots’ ou contas operadas por inteligência artificial (IA) que se multiplicam em outras plataformas digitais, e, para tal, aposta numa aplicação separada que permite aos utilizadores identificarem-se como humanos sem comprometer os seus dados pessoais.

A plataforma pode ser usada sem autenticação (apenas para ler e seguir outros utilizadores), mas a etapa de verificação é necessária para publicar mensagens e interagir com outros utilizadores na W.

Além disso, publicar com o nome verdadeiro permite aos utilizadores que os seus conteúdos tenham prioridade sobre os daqueles que desejam permanecer anónimos.

Todos os ‘posts’ na rede social W são públicos por defeito na plataforma, construída com base no AT-Protocol, o protocolo descentralizado e de padrão aberto desenvolvido pela já referida Bluesky.

A plataforma foi aberta ao público em versão beta, depois de ter sido apresentada em fevereiro no Fórum de Davos, na Suíça.

Entre os utilizadores, encontram-se já algumas figuras políticas europeias de destaque, como a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, e a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde.

“Hoje, adiro à W, plataforma em que os dados se alojam integralmente na Europa, o combate à desinformação é uma prioridade e os utilizadores são pessoas verdadeiras verificadas. Espero ter conversas mais humanas!”, escreveu António Costa na estreia na rede social.

Esta nova plataforma começa a funcionar depois de a Comissão Europeia ter apresentado, no início deste mês, um conjunto de leis para impulsionar as empresas europeias de serviços na nuvem e garantir o fornecimento de ‘chips’.

Tudo isto tem como objetivo reduzir a dependência tecnológica da UE em relação às empresas norte-americanas e chinesas, em relação às quais Bruxelas planeia em breve divulgar também um “plano abrangente sobre cibersegurança e IA”.

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