O Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa considerou hoje que a atual crise de energia, os níveis de criminalidade e a corrupção afetam a atração de investimento estrangeiro na economia mais desenvolvida do continente.
Falando na abertura da 5.ª Conferência de Investimento da África do Sul, organizada pelo Governo, em Joanesburgo, a capital económica do país, Ramaphosa atribuiu a crise de energia ao subinvestimento, má administração e corrupção no setor.
"A falta de confiabilidade no fornecimento de eletricidade enfraquece a confiança dos empresários e consumidores, mancha as perceções internacionais sobre o nosso país e afeta o sentimento e as decisões de investimento", considerou.
"Anunciamos um Plano de Ação de Energia em julho do ano passado. O Plano de Ação de Energia apresenta um caminho claro para reduzir a gravidade e a frequência da redução de carga no curto prazo e alcançar a segurança energética no longo prazo", apontou.
O chefe de Estado referiu que a nomeação do novo ministro da Eletricidade agilizará a implementação do plano de ação do seu executivo, considerando que as reformas em curso no setor da eletricidade facilitarão também a atração de investimento privado no setor.
Na sua intervenção, o Presidente sul-africano sublinhou que "o crime e a corrupção continuam a dificultar o desenvolvimento da África do Sul".
"Para enfrentar este grave desafio, equipes de trabalho multidisciplinares especializadas foram criadas pela polícia para combater crimes de sabotagem económica, violência e extorsão em estaleiros de obras, mineração ilegal, vandalismo de infraestrutura e roubo de cabos", explicou.
Todavia, acrescentou que "após o impacto devastador da pandemia de covid-19, o investimento fixo total em termos nominais aumentou de 756 mil milhões de rands [37,8 mil milhões de euros], em 2020, para 811 mil milhões de rands [40,5 mil milhões de euros], em 2021, e para 933 mil milhões [46,6 mil milhões de euros], em 2022".
"Estamos numa longa jornada para reconstruir o nosso país e recuperar o terreno que perdemos. A nossa recuperação é uma missão que levará tempo para ser cumprida", declarou o Presidente sul-africano.
Na ótica de Ramaphosa, que é também presidente do partido Congresso Nacional Africano (ANC), no poder desde 1994, a África do Sul "é um destino de investimento com significativo potencial inexplorado", salientando que "ao alavancar" uma proposta "de valor único", o país tem "a capacidade de atrair níveis mais altos de investimento".
"Quase 70% do número total de projetos anunciados desde 2018 estão concluídos ou em vias de conclusão", salientou.
LUSA