O Presidente da África do Sul defendeu hoje que o Governo do Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla em inglês), no poder desde 1994, deve enfrentar ao mesmo tempo a crise de eletricidade no país e as alterações climáticas.
"O país enfrenta uma crise de eletricidade e uma crise climática, que devemos enfrentar ao mesmo tempo", salientou o Presidente, Cyril Ramaphosa, que é também presidente do partido governante.
"À medida que intensificamos os nossos esforços para resolver o défice de eletricidade, continuamos comprometidos em reduzir as nossas emissões de carbono através de uma transição justa", acrescentou.
Os sul-africanos enfrentam pelo menos quatro cortes de eletricidade por dia, equivalente a 12 horas sem energia elétrica, não se perspetivando para breve o fim da crise que se arrasta desde 2000.
Todavia, na sua ‘newsletter’ semanal ao país, Cyril Ramaphosa sublinhou os "progressos" alcançados pelo executivo sul-africano na "melhoria do desempenho" das centrais da estatal elétrica, a endividada Eskom, com o reforço da rede elétrica com mais 3.500 MW (megawatts) de nova capacidade de geração a partir de duas centrais a carvão - Kusile e Medupi.
"Também inclui melhorar a qualidade do carvão fornecido às centrais de energia e garantir que as competências apropriadas, o financiamento adequado e o planeamento eficiente sejam implementados", explicou.
Ramaphosa defendeu que o Governo está "a fazer um progresso real" no reforço de nova capacidade de geração, "comprando energia a países vizinhos, acelerando [a implementação] de novos projetos eólicos, solares, de armazenamento de baterias e de gás", frisando que o país tem "um défice de cerca de 6.000 MW" e que se está "a trabalhar para colmatar com todos esses esforços".
"Existe um aumento maciço de investimento privado na geração de eletricidade como resultado das reformas que iniciamos. Essas reformas significam que as empresas privadas podem investir em projetos de geração de qualquer dimensão e alimentar a rede", apontou.
O líder sul-africano reiterou que a África do Sul, a economia mais desenvolvida no continente, continua "empenhada" em reduzir as emissões de carbono através de uma "transição justa".
De acordo com o chefe de Estado, a África do Sul comprometeu-se a reduzir as suas emissões de carbono até 2030 "para um patamar em que, no seu nível superior, seja compatível com a limitação do aumento da temperatura global para 1,5ºC".
"Continuamos empenhados em atingir esta meta. Precisamos de fazer isso para prevenir os piores efeitos das mudanças climáticas, incluindo secas, inundações e outros desastres. Também precisamos proteger empregos em setores da nossa economia que precisam de ser descarbonizados para permanecer competitivos globalmente", advogou.
"No entanto, a forma como esses compromissos são alcançados não deve comprometer a segurança energética ou a prioridade imediata de reduzir o corte de energia", sublinhou.
O chefe de Estado sul-africano avançou que o impacto na saúde e no meio ambiente das emissões das centrais a carvão "também precisa ser considerado".
"Na reunião, na semana passada, da Comissão Presidencial do Clima, foi apontado que a transição para fontes de energia limpa evitará mais de 400.000 mortes atribuíveis à poluição do ar até 2050", afirmou.
Nesse sentido, Ramaphosa considerou que a África do Sul conseguirá "priorizar" as suas necessidades energéticas imediatas "sem comprometer os compromissos climáticos", e assegurou: "Estamos determinados a fazê-lo".
"De facto, devemos acelerar o ritmo de investimento em nova geração de eletricidade renovável como parte importante do plano para superar a redução de ‘loadshedding’ [termo usado pelas autoridades sul-africanas para os cortes de eletricidade]", assumiu.
Lusa