A organização não-governamental (ONG) venezuelana Foro Penal disse que, até sábado à noite, o Governo da Venezuela apenas tinha libertado 17 pessoas detidas por motivos políticos, com 803 ainda detidas.
Já a maior coligação da oposição, a Plataforma Democrática Unitária, anunciou a libertação de pelo 22 presos políticos.
Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional e irmão da presidente interina, Delcy Rodríguez, anunciou na quinta-feira a libertação de um “número significativo” de pessoas detidas, incluindo cidadãos venezuelanos e estrangeiros.
O ex-candidato à presidência da Venezuela Enrique Márquez e a proeminente advogada venezuelana Rocio San Miguel, detida em fevereiro de 2024, foram dos primeiros presos políticos que saíram da prisão na quinta-feira.
Mas as autoridades não identificaram nem divulgaram o número de prisioneiros que estão a ser considerados para libertação. Alguns familiares de detidos políticos estão há três dias à espera junto a prisões venezuelanas.
Segundo o balanço mais recente da Foro Penal, o número de presos políticos incluía 86 pessoas com nacionalidade estrangeira ou com dupla nacionalidade, entre os quais cinco lusovenezuelanos.
No sábado, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu aos presos políticos libertados que não se esqueçam da intervenção norte-americano na Venezuela.
“A Venezuela iniciou o processo, DE FORMA IMPACTANTE, de libertação dos seus presos políticos. Obrigado! Espero que estes presos se lembrem da sorte que tiveram por os EUA terem vindo e feito o que era necessário fazer”, disse Trump
“ESPERO QUE NUNCA SE ESQUEÇAM DISSO! Se o fizerem, não será bom para eles”, acrescentou o líder dos Estados Unidos, na rede social que detém, a Truth Social.
Na sexta-feira, Trump afirmou, também na Truth Social, que tinha “cancelado” um segundo ataque à Venezuela depois de Caracas ter libertado “um grande número de presos políticos”.
“A Venezuela está a libertar um grande número de presos políticos como sinal de ‘busca pela paz’. Esta é uma medida muito importante e inteligente”, declarou Trump.
Segundo o líder norte-americano, “os Estados Unidos e a Venezuela estão a trabalhar bem juntos, especialmente no que diz respeito à reconstrução das suas infraestruturas de petróleo e gás de uma forma muito maior, melhor e mais moderna”.
Assim, Trump enfatizou que “por causa desta cooperação”, Washington “cancelou a segunda vaga de ataques anteriormente esperada”.
A Venezuela está a ser governada pela Presidente interina, Delcy Rodríguez, após a prisão em Caracas de Nicolás Maduro e da mulher, Cilia Flores, em 03 de janeiro, por tropas norte-americanas. Maduro e Flores serão julgados por vários crimes, incluindo acusações de narcotráfico, perante à justiça dos Estados Unidos.