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Myanmar: Nova enviada da ONU "profundamente preocupada" com escalada de violência

JM-Madeira

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Data de publicação
27 Dezembro 2021
14:27

A nova enviada especial da ONU para Myanmar (antiga Birmânia) admitiu hoje estar "profundamente preocupada" com a escalada da violência no país, tendo pediu um cessar-fogo à junta militar e ao movimento civil de oposição.

Noeleen Heyzer, diplomata com origem em Singapura, "está profundamente preocupada com a escalada contínua da violência no estado de Kayan e noutras partes de Myanmar", disse o seu gabinete, em comunicado hoje divulgado.

Esta é a primeira declaração de Heyzer desde a sua nomeação, em outubro passado.

No sábado, foram publicadas fotografias em redes sociais mostrando dois camiões e um carro queimados numa estrada no município de Hpruso, no estado oriental de Kayan, com corpos no interior.

Segundo o observatório Myanmar Witness, "35 pessoas, incluindo crianças e mulheres, foram queimadas e mortas pelos militares, em 24 de dezembro, no município de Hpruso".

Um porta-voz da junta, Zaw Min Tun, admitiu a existência de confrontos na área na sexta-feira, tendo indicado que os soldados tinham matado várias pessoas, sem dar mais pormenores.

A organização não-governamental (ONG) Save the Children anunciou mais tarde que dois dos seus funcionários estavam "desaparecidos".

Myanmar tem estado num caos desde no início de fevereiro, quando um golpe de Estado pôs fim a uma transição democrática de 10 anos. Em 10 meses, mais de 1.300 civis foram mortos, segundo uma ONG local, a Associação de Assistência a Presos Políticos (AAPP).

Em resposta, milícias de cidadãos surgiram em todo o país e lutam regularmente contra o poderoso exército birmanês.

Os esforços diplomáticos das Nações Unidas e da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) para resolver a crise têm registado poucos progressos.

Em outubro, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, nomeou a socióloga e ex-subsecretária-geral da ONU Noeleen Heyzer como enviada especial a Myanmar, substituindo a diplomata suíça Christine Schraner Burgener.

LUSA

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