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Médio Oriente: Trump admite ter chamado “doido” a Netanyahu por minar negociações com Irão

Data de publicação
03 Junho 2026
20:50

O Presidente norte-americano, Donald Trump, admitiu hoje ter criticado o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, chamando-lhe “doido” num telefonema tenso, por os ataques de Israel ao Hezbollah no Líbano estarem a minar as conversações de paz com o Irão.

Numa entrevista hoje divulgada, Trump assegurou que, apesar das tensões, a sua relação com Netanyahu é sólida por serem ambos líderes em tempos de guerra.

“Trabalhamos muito bem juntos. Gosto muito do Bibi. E trabalho muito bem com ele”, disse Trump a um podcast do The New York Post.

Em entrevista ao canal de notícias norte-americano CNBC, Netanyahu respondeu que ele e Trump têm por vezes “divergências táticas”, mas mantêm “objetivos em comum” e “concordam nos pontos principais”.

“Ele respeita-me. Eu respeito-o. Encontramos sempre uma forma de resolver as nossas diferenças”, disse o primeiro-ministro israelita.

O jornal digital Axios noticiou na terça-feira que Trump destratou Netanyahu na segunda-feira, devido à ofensiva israelita no Líbano, afirmando que está “doido”.

O portal citou dois responsáveis norte-americanos sob anonimato e uma terceira fonte que tomou conhecimento do conteúdo da chamada telefónica, durante a qual Trump usou linguagem vulgar e se referiu não só à guerra entre Israel e o grupo xiita Hezbollah, como às acusações contra Netanyahu na justiça israelita de fraude, abuso de poder e corrupção.

“És doido varrido. Estarias na cadeia se não fosse eu. Estou a salvar-te o coiro. Agora toda a gente te odeia. Toda a gente odeia Israel por causa disto”, disse o Trump, segundo a transcrição da conversa pelo Axios.

A repreensão de Trump ocorreu no mesmo dia em que o líder da Casa Branca anunciou ter obtido garantias de Netanyahu e do Hezbollah de uma trégua.

De acordo com o Axios, noutro momento do telefonema, Trump confrontou Netanyahu e questionou: “O que raio estás a fazer?”, referindo-se à escalada militar no Líbano.

A versão oficial desta ligação, no entanto, é mais diplomática e evita qualquer menção a um confronto entre os dois líderes, que concordaram em lançar conjuntamente a ofensiva contra o Irão em 28 de fevereiro, com impacto em todo o Médio oriente, em particular no Líbano.

A escalada militar no Líbano levou o Irão a suspender na segunda-feira as conversações de paz com Washington, que estão ligadas ao conflito entre Israel o Hezbollah.

No último mês, Hezbollah e Israel têm continuado os ataques aéreos e confrontos terrestres no sul do Líbano, apesar do cessar-fogo em vigor desde 17 de abril.

No domingo, Israel capturou a fortaleza de Beaufort, uma posição estratégica no sul do Líbano, a norte do rio Litani, anterior linha de demarcação dos militares israelitas, que na semana passada receberam ordens para atuar até ao rio Zahrani, a cerca de 40 quilómetros da fronteira entre os dois países.

A trégua foi acordada entre Israel o Governo libanês em Washington, mas não era reconhecida pelo grupo xiita apoiado pelo Irão, tal como as negociações de paz israelo-libanesas em curso, com o patrocínio dos Estados Unidos.

O Líbano foi arrastado pelas milícias xiitas libanesas para a nova guerra na região ao reatarem, no início de março, ataques aéreos contra o território israelita.

Israel respondeu com bombardeamentos intensivos e expandiu as posições militares que já mantinha no sul do país vizinho durante o conflito anterior.

As partes tinham estado em confronto no seguimento da guerra de Faixa de Gaza, entre outubro de 2023 e novembro de 2024, data de um cessar-fogo nunca verdadeiramente respeitado e que foi interrompido com o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irão.

Também hoje, Trump manteve-se evasivo quanto a um calendário para a resolução do conflito com o Irão, afirmando que o Estreito de Ormuz poderá permanecer bloqueado.

“Acho que poderia ser (o estreito manter-se fechado até ao Dia do Trabalho, a 07 de setembro), mas acho improvável. Acho que isso se vai resolver rapidamente”, disse Trump ao Post.

O Líder Supremo do Irão, Mojtaba Khamenei, que sucedeu ao seu falecido pai, está “envolvido” nas conversações de paz, acrescentou Trump.

“Têm muito respeito por ele”, disse o Presidente na entrevista.

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