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Médio Oriente: Israel emite aviso de evacuação para a cidade de Tiro no sul do Líbano

Data de publicação
27 Maio 2026
17:56

O exército israelita emitiu hoje um aviso de evacuação para a cidade histórica de Tiro, no sul do Líbano, antecipando ataques contra o grupo xiita Hezbollah, no âmbito da intensificação da ofensiva anunciada pelo primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu.

“Alerta urgente aos residentes de Tiro, dos campos de refugiados e das zonas vizinhas (...) para vossa segurança, devem evacuar as vossas casas imediatamente (...) a norte do rio Zahrani”, escreveu Avichai Adraee, porta-voz do exército israelita em árabe nas redes sociais.

Nos últimos dias, as forças israelitas bombardearam Tiro, cidade costeira de 200 mil habitantes e com sítios históricos classificados pela UNESCO, bem como dezenas de outros locais no sul do Líbano.

O exército anunciou na terça-feira que estava a alargar as suas operações terrestres para além da “linha amarela”, a cerca de dez quilómetros da fronteira entre os dois países e que servia como uma alegada zona de proteção em território libanês.

Ao todo, os militares israelitas, reivindicaram ataques contra mais de 150 alvos do grupo xiita Hezbollah nas últimas 24 horas, nas regiões de Tiro e Nabatieh, no sul do Líbano, e no Vale do Bekaa, no leste do país, que fizeram mais de 50 mortos, segundo as autoridades libanesas.

Entre os ataques na terça-feira, um deles matou pelo menos 15 pessoas no bairro residencial de Burj al-Shamali, perto de Tiro, de acordo com o presidente da autarquia.

Pelo seu lado, o Hezbollah reclamou hoje combates diretos com o exército israelita a norte do rio Litani, junto da extremidade da “linha amarela”.

O movimento pró-Irão também reivindicou a responsabilidade, desde terça-feira, por ataques com drones e armas ligeiras contra as tropas israelitas que tentavam infiltrar-se em Zawtar al-Sharqiyeh, que é estrategicamente importante devido à sua proximidade com a cidade Nabatieh, por sua vez também objeto de avisos de evacuação.

Os confrontos militares decorrem em plena vigência do cessar-fogo, desde 17 de abril por acordo das autoridades de Israel e do Líbano, que não é reconhecido pelo Hezbollah, tal como as negociações de paz israelo-libanesas em curso com o patrocínio dos Estados Unidos.

O chefe da diplomacia de Washington, Marco Rubio, reconheceu na terça-feira o direito à defesa de Israel, nos termos já estipulados na trégua, face à persistência de ataques aéreos do Hezbollah contra o território israelita.

As negociações de paz no Líbano estão ligadas às conversações indiretas entre Estados Unidos e Irão sobre o conflito iniciado em 28 de fevereiro pela ofensiva aérea israelo-americana contra a República Islâmica.

Teerão tem exigido reiteradamente que a cessação das hostilidades deve abranger todo o Médio Oriente, incluindo o Líbano, enquanto Israel afirma que não se vai deter enquanto o Hezbollah não for desarmado e neutralizado.

O país foi arrastado pelas milícias xiitas libanesas para a nova guerra na região ao reatarem, no início de março, ataques aéreos contra o território israelita.

Israel respondeu com bombardeamentos intensivos e expandiu as posições militares que já mantinha no sul do país vizinho durante o conflito anterior.

Desde 02 de março, pelo menos 3.185 pessoas foram mortas e quase dez mil ficaram feridas, segundo o Ministério da Saúde libanês, em resultado dos ataques israelitas, que provocaram também acima de um milhão de deslocados.

Do lado israelita, 24 pessoas foram mortas no mesmo período, incluindo 23 soldados e um contratado civil.

As partes tinham estado em confronto no seguimento da guerra de Faixa de Gaza, entre outubro de 2023 e novembro de 2024, data de um cessar-fogo nunca verdadeiramente respeitado e que foi interrompido com o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irão.

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