O Presidente norte-americano afirmou hoje que vai ordenar novos bombardeamentos contra o Irão caso não seja alcançado um acordo definitivo com Teerão nos 60 dias após a assinatura formal do memorando de entendimento.
“É um memorando de entendimento. Se não for assinado dentro de 60 dias, não há problema. Vamos voltar a bombardear”, declarou Donald Trump, numa conferência de imprensa em Evian, França, onde decorreu a cimeira do G7.
O chefe de Estado norte-americano justificou a ameaça com a determinação dos Estados Unidos em impedir que o Irão desenvolva armas nucleares.
Trump garantiu mesmo que os Estados Unidos vão ficar com o urânio enriquecido iraniano mesmo que “não tenha nenhum valor”.
O líder norte-americano que as autoridades iranianas vão colaborar com Washington na eliminação do material nuclear enriquecido armazenado em instalações subterrâneas e avisou que os Estados Unidos poderão voltar a atacar caso Teerão tente recuperar esse material.
A cerimónia formal de assinatura do memorando de entendimento está marcada para sexta-feira, na Suíça, depois da assinatura eletrónica do documento realizada no domingo.
Segundo os termos anunciados, o memorando abrirá um período de 60 dias para negociar um acordo de paz definitivo entre os dois países, incluindo mecanismos de verificação relacionados com o programa nuclear iraniano.
As declarações de Trump surgem numa altura em que Teerão acusa Israel de violar o entendimento alcançado com Washington devido à continuação dos ataques israelitas contra posições do Hezbollah no Líbano.
Questionado sobre a ofensiva israelita, o Presidente norte-americano admitiu divergências com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu.
“Temos uma pequena divergência sobre o Líbano. Eu disse a ‘Bibi’: ‘Pode ser um pouco mais diplomático. Não precisa de demolir um edifício de cada vez que alguém do Hezbollah entra nele’”, afirmou o líder norte-americano.
Apesar das críticas, Trump descreveu Netanyahu como “um bom homem” e sublinhou que ambos mantêm uma “colaboração incrível”.
Na mesma conferência de imprensa, o Presidente norte-americano agradeceu à Rússia e à China por terem permanecido neutras durante o conflito entre Washington e Teerão.
“Quero agradecer ao Presidente da China, Xi Jinping. Manteve-se neutro, totalmente neutro. E quero agradecer a Vladimir Putin [chefe de Estado russo], que também foi muito neutro. Podiam ter tornado as coisas muito mais difíceis para nós”, declarou Trump.
O Presidente dos EUA afirmou ainda que Pequim não forneceu armamento ao Irão durante o conflito, considerando que essa posição contribuiu para facilitar as negociações.
O líder norte-americano aproveitou também para defender um acordo internacional de desnuclearização envolvendo os Estados Unidos, a Rússia e a China.
“Não precisamos de ser capazes de destruir o mundo 300 vezes. Se pudéssemos chegar a um acordo de desnuclearização, eu adoraria”, afirmou.
Trump destacou que os Estados Unidos continuam a possuir o maior arsenal nuclear do mundo, seguidos pela Rússia, enquanto a China está a aumentar rapidamente as capacidades estratégicas.