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Guterres diz que ONU vai lançar comissão sobre o “controlo humano” da IA

Data de publicação
20 Fevereiro 2026
10:00

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, apelou hoje a “menos alarido e menos medo” em torno da inteligência artificial (IA) e anunciou a criação de uma comissão da ONU para examinar o “controlo humano” desta tecnologia.

“A ciência informa, mas os humanos decidem. O nosso objetivo é tornar o controlo humano uma realidade técnica, não um mero slogan”, disse Guterres na Cimeira de Impacto da Inteligência Artificial, que terminou hoje em Nova Deli.

O português anunciou a formação de uma comissão de 40 cientistas internacionais “para expandir o nosso conhecimento sobre a IA e avaliar os seus efeitos reais nas economias e sociedades, para que todos os países, independentemente das suas capacidades em IA, tenham a mesma clareza”.

“Se queremos que a IA sirva a humanidade, a nossa política não pode basear-se em palpites, alarido ou desinformação. Precisamos de factos em que possamos acreditar e partilhar”, insistiu Guterres.

“Quando compreendermos o que estes sistemas podem e não podem fazer, poderemos tomar medidas para implementar salvaguardas mais inteligentes e adequadas aos riscos”, continuou.

“Estamos a caminhar para o desconhecido. A inovação em IA está a avançar à velocidade da luz e a ultrapassar a nossa capacidade coletiva de a compreender, quanto mais de a governar”, enfatizou o responsável da ONU.

“A mensagem é simples: menos alarido, menos medo, mais factos e provas”, concluiu.

Na quinta-feira, Guterres já tinha defendido, perante uma plateia de dirigentes e executivos de topo do sector tecnológico, que “a IA deve pertencer a todos”, e o seu futuro não pode ser deixado “ao sabor de alguns multimilionários”.

A quarta cimeira deste tipo, a de Nova Deli, reúne líderes políticos e a elite tecnológica para examinar o impacto da IA.

Uma declaração conjunta é esperada ainda hoje.

Na quinta-feira, durante a sessão plenária da cimeira, chefes de Estado de mais de 20 países defenderam uma governação que priorize o interesse público em detrimento do que descreveram como um “monopólio digital” que ameaça a soberania e pode obscurecer a utilização de uma plataforma com limites ainda indefinidos.

O primeiro-ministro indiano e anfitrião, Narendra Modi, liderou esta frente crítica ao propor o código aberto como uma alternativa ao modelo atual e ao rejeitar a opacidade das corporações que tratam a IA como um “ativo estratégico confidencial”.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, enfatizou as políticas que apoiam as populações vulneráveis.

“Nenhum país está obrigado a servir apenas como um mercado onde as empresas estrangeiras vendem modelos e descarregam dados dos cidadãos. Nenhum país”, declarou.

Da mesma forma, o Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, denunciou o Sul Global como vítima de uma nova forma de colonialismo.

“Quando poucos controlam algoritmos e infraestruturas digitais, não estamos a falar de inovação, mas de dominação. Os dados gerados pelos nossos cidadãos estão a ser apropriados sem compensação equivalente nos nossos territórios”, apontou.

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