O governo venezuelano não tem prevista nenhuma negociação com a oposição para uma transição democrática, e menos ainda com a Prémio Nobel da Paz, Maria Corina Machado, disse hoje o ministro do Interior e Justiça da Venezuela.
“É pura treta. São camiões e camiões de palha, camiões de grande porte. Então, eles [opositores] chegam e inventam a sua própria história, dizem que se reuniram, mas é tudo treta”, disse.
Diosdado Cabello falava durante a conferência de imprensa semanal do Partido Socialista Unido da Venezuela, PSUV, o partido do Governo, do qual é vice-presidente.
“Eles começam a dizer isso acreditando, na sua imaginação, que isso vai abalar o chavismo. Pior para eles, porque sempre apelamos ao diálogo”, disse questionando quantos apelos ao diálogo fez o Nicolás Maduro, e o falecido comandante Hugo Chávez.
Diosdado Cabello sublinhou que de diálogo, de sentar-se a conversar, sabe o governo venezuelano.
“Sentar-se a conversar não é uma capitulação. Mas com eles não está em causa nada e com ela [Maria Corina Machado] ainda menos. E, não houve nenhuma reunião em parte alguma do mundo da presidente Delcy (...) mas eles inventam a sua história, contam-na e então alguém gera a notícia, e depois que se reuniram, que já conversaram, que esta senhora [opositora] pôs condições. Eles não estão em condições, de pôr condições neste país. É pura ‘paja’ [palha, treta] ”, disse.
Em 29 de maio último, a líder da oposição na Venezuela, Maria Corina Machado, afirmou-se “determinada” a negociar uma transição democrática com a presidente interina, Delcy Rodriguez, à frente do país desde a captura de Nicolás Maduro pelos EUA em janeiro.
A vencedora do Prémio Nobel da Paz pediu o apoio dos Estados Unidos para “conduzir uma negociação política séria, firme e responsável com o regime interino, a fim de restabelecer a democracia na Venezuela”, indicou Maria Corina Machado num comunicado publicado a partir do Panamá, onde se encontrava.
“O objetivo central desta negociação é conseguir a realização de eleições presidenciais livres, transparentes e soberanas”, acrescenta o comunicado redigido no final de um encontro com partidos políticos venezuelanos da oposição.
Maria Corina Machado vive no exílio desde que deixou clandestinamente a Venezuela para receber o seu Nobel em Oslo, em dezembro.
Declarada inelegível após obter uma vitória esmagadora nas primárias da oposição, Machado liderou a campanha de Edmundo Gonzalez Urrutia para as eleições presidenciais na Venezuela de 2024, em que Nicolás Maduro foi reeleito, apesar das acusações de fraude por parte da oposição.
O Governo venezuelano considera Machado uma “fugitiva da justiça” e acusa-a de ter defendido a intervenção militar norte-americana ainda antes da mesma vir concretizar-se e a derrubar Maduro em janeiro.