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Etiópia: Quase metade da população em Tigray tem grave escassez de alimentos - ONU

JM-Madeira

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Data de publicação
19 Agosto 2022
18:20

Quase metade da população da província de Tigray, na Etiópia, teve grave escassez de alimentos em junho e é improvável que a situação melhore até à colheita anual de novembro, disse hoje uma agência da ONU.

O conflito que eclodiu em novembro de 2020 entre o governo federal e as autoridades rebeldes nesta província do norte da Etiópia "levou as pessoas em Tigray cada vez mais fundo na fome", com altas taxas de desnutrição infantil, observa o Programa Alimentar Mundial (PAM) no seu último relatório sobre segurança alimentar.

Uma trégua no final de março levou ao fim dos combates, o que permitiu a retoma em abril das colunas de ajuda humanitária após uma interrupção de três meses.

Mas a região continua isolada do resto do país, sem eletricidade, telecomunicações e em grande parte privada de combustível e dinheiro, devido à falta de serviços bancários e à destruição da economia local.

"Numa região onde os alimentos costumam estar disponíveis, (…) 89% dos habitantes viviam em insegurança alimentar em junho de 2022", ou seja, mais seis pontos percentuais do que em novembro de 2021, segundo o PAM, e perto da metade do população (47%) sofria de "grave insegurança alimentar".

Enquanto 80% da população depende da agricultura de subsistência, as colheitas de novembro de 2021 ficaram abaixo da média, observa o PMA.

Além disso, "com o fluxo de envio humanitário e bens comerciais para Tigray a continuar severamente restrito e insuficiente, os preços dos alimentos e itens não alimentares continuam a subir".

O PAM faz referência a diferenças de preços de 70% a 300% para os cereais e de 58% a 99% para o óleo vegetal em relação às regiões vizinhas.

A agência da ONU acrescenta que 85% das famílias dizem que não compram alimentos nos mercados por falta de dinheiro.

Da amostra de 3.000 famílias entrevistadas pelo PAM entre 21 de maio e 05 de junho, 81% disseram ter recebido ajuda humanitária pelo menos uma vez desde o início do conflito.

Mas apenas 8% delas disseram ter recebido ajuda nos últimos três meses, enquanto quase dois terços não a recebiam há mais de um ano.

A chegada de mais de 6.000 camiões de socorro a Mekele, capital regional, entre 01 de abril e o final de julho "ainda não se traduziu num aumento da assistência humanitária, pois persistem outros desafios, como o acesso limitado ao combustível" que restringe as distribuições fora da cidade, sublinha o PAM.

Até 06 de julho, o PAM e os seus parceiros conseguiram distribuir alimentos para cerca de 4,66 milhões de pessoas.

"Mas a escassez de alimentos deverá persistir até novembro", data da próxima colheita anual, "a menos que a distribuição da ajuda humanitária melhore", estima a agência.

Lusa

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