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Ébola: Mais de 900 casos suspeitos ou confirmados na RDCongo

Data de publicação
25 Maio 2026
10:29

Os casos suspeitos ou confirmados de Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo) ascendem a mais de 900, incluindo 101 em que a presença do vírus foi identificada em laboratório, alertou hoje a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O diretor-geral da agência, Tedros Adhanom Ghebreyesus, destacou as dificuldades em lidar com o surto na província de Ituri, epicentro da crise, onde uma em cada quatro pessoas necessita de assistência humanitária e uma em cada cinco é deslocada interna.

“A violência está a obrigar as pessoas a fugir, incluindo profissionais de saúde e humanitários, o que está a dificultar gravemente os esforços para alargar o rastreio de contactos do Ébola e identificar as infeções com antecedência suficiente para prestar apoio”, sublinhou.

Até à data, foram registadas 204 “mortes prováveis” devido à epidemia declarada em 15 de maio, informou no sábado o Governo congolês.

Angola, que faz fronteira com a RDCongo, está entre os 10 países africanos que correm o risco de ser afetados pelo vírus Ébola, além RDCongo e do Uganda, alertou no sábado a agência de saúde Africa CDC.

As crises de longa data no leste da RDCongo, que tornaram a região palco de um dos piores desastres humanitários do mundo, afetam a resposta ao Ébola por vários motivos.

Por um lado, a região enfrenta uma ameaça constante de violência. O leste da RDCongo tem sido palco de violência por parte de dezenas de grupos rebeldes distintos há anos, alguns deles com ligações a países estrangeiros ou ao Estado Islâmico(EI).

Por outro lado, os rebeldes do grupo armado Movimento 23 de Março (M23), alegadamente apoiados pelo Ruanda, controlam partes da região e, embora o Governo da RDCongo ainda controle em grande parte a província de Ituri, no nordeste, que é o epicentro do surto de Ébola, esse controlo é frágil.

A RDCongo é regularmente afetada por surtos e epidemias do vírus Ébola, que se transmite através do contacto direto com sangue ou outros fluidos corporais de pessoas infetadas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, dores musculares, fraqueza, dores de cabeça, irritação da garganta, febre, vómitos, diarreia e hemorragias internas.

A atual epidemia corresponde a uma nova estirpe do Ébola, para a qual não existe vacina e cuja taxa de mortalidade varia entre 30% e 50%, segundo a OMS.

O Ébola provoca uma febre hemorrágica mortal, mas o vírus, que causou mais de 15 mil mortes em África nos últimos 50 anos, é menos contagioso do que a covid-19 ou o sarampo.

Na ausência de vacina e de tratamento aprovado contra a estirpe Bundibugyo do vírus, responsável pela epidemia atual, as diretrizes de contenção assentam essencialmente no cumprimento das medidas de prevenção sanitária e na deteção rápida dos casos.

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