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Centenas de agricultores em protesto no centro de Madrid

Data de publicação
17 Março 2024
14:33

Centenas de pessoas com dezenas de tratores manifestaram-se hoje no centro de Madrid em mais um protesto contra as políticas europeias para a agricultura e para pedir ao Governo espanhol “compromissos” nos debates em Bruxelas.

Segundo a organização, cerca de mil pessoas e entre 150 e 200 tratores estiveram no protesto, enquanto a Delegação do Governo de Madrid (a entidade responsável por autorizar e organizar os dispositivos de segurança das manifestações) disse terem sido 450 pessoas e 78 tratores.

O protesto foi o segundo convocado nas últimas semanas para as ruas do centro da capital espanhola pela plataforma de associações agrícolas União das Uniões.

Esta plataforma tem organizado algumas das maiores manifestações em Espanha contra as políticas europeias para a agricultura, mas não é interlocutora do Governo espanhol.

No protesto anterior em Madrid, em 21 de fevereiro, a União das Uniões mobilizou 4.000 pessoas e 500 tratores, segundo as autoridades.

O coordenador da plataforma, Luis Cortés, disse hoje aos jornalistas que os agricultores pedem ao executivo “compromissos” para fazer avançar, em Bruxelas, a reforma da Política Agrícola Comum (PAC) a partir de setembro, quando arrancar a nova legislatura na União Europeia (UE), na sequência das eleições de junho.

Luis Cortés pediu ainda ao Governo de Espanha medidas para haver uma produção agrícola “a preços justos” e não apenas “pensos rápidos”.

As políticas agrícolas “confundem agricultura com meio ambiente” e impedem a produção a preços acessíveis para a generalidade da população, afirmou.

A União das Uniões pede, por isso, que se negoceie “um novo regulamento da PAC” porque “faz falta uma reforma intermédia”.

“Aquilo que devem fazer é um regulamento próprio de meio ambiente e não misturá-lo com o da agricultura”, afirmou o representante, que considerou insuficientes os anúncios das últimas semanas da Comissão Europeia, em resposta aos protestos de agricultores em vários países.

A União das Uniões reivindica ainda que sejam aplicados nos acordos comercias entre a UE e países terceiros as designadas “cláusulas espelho”, ou seja, que se imponham aos produtos importados as mesmas condições de produção que têm os agricultores dentro da UE.

“Não queremos um privilégio, queremos igualdade”, disse Luis Cortés.

A manifestação de hoje saiu das imediações do Ministério da Transição Ecológica (que tutela o Ambiente) em direção ao Ministério da Agricultura, percorrendo algumas das artérias centrais de Madrid.

À frente dos tratores seguiram manifestantes a pé, com pessoas de todas as idades, incluindo crianças, com coletes refletores amarelos e bandeiras, faixas e cartazes com frases como “Continuamos a ter motivos”, “Papéis a mais, soluções a menos” ou “Hoje em dia a agricultura é a nossa sepultura”.

Luis Cortés afirmou que o protesto de hoje pretendeu ser “mais festivo e familiar” do que outros nas últimas semanas e apelou ao ministro da Agricultura, Luis Planas, para se sentar a dialogar também com a União das Uniões.

Segundo o representante, os agricultores vão continuar a protestar nas ruas em Espanha. Os profissionais, como tem acontecido noutros países, manifestam-se desde há cerca de seis semanas com o foco nas políticas agrícolas europeias.

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