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África do Sul anuncia que repatriou 2.745 estrangeiros numa semana

Data de publicação
14 Junho 2026
20:42

A África do Sul repatriou 2.745 estrangeiros, incluindo centenas de moçambicanos, na semana a seguir à promessa do Presidente Cyril Ramaphosa de endurecer a luta contra a imigração ilegal, anunciou hoje o ministro do Interior do país.

O país tem sido alvo de manifestações xenófobas nos últimos meses e os recentes saques em lojas e ataques contra estrangeiros levaram cidadãos de Moçambique, da Nigéria, do Malawi, do Gana e do Zimbabué a aceitar um repatriamento voluntário organizado pelos seus governos.

“Podemos anunciar o número de 2.745 repatriamentos realizados durante este período desde a intervenção do Presidente”, disse o ministro do Interior, Leon Schreiber, à imprensa, acrescentando que os números poderiam “mudar”.

A 07 de junho, Ramaphosa disse reconhecer as preocupações em relação à imigração ilegal, mas avisou que as autoridades não tolerariam que alguém fizesse justiça pelas próprias mãos.

O governo esclareceu que a maioria das pessoas repatriadas encontrava-se ilegalmente no país.

Entre os imigrantes ilegais, a África do Sul conta cerca de 7.000 malawianos a viver num terreno baldio na cidade portuária de Durban (leste), segundo o comité interministerial sobre migrações recentemente criado.

Estes cidadãos começaram hoje a ser retirados em oito autocarros fretados pelo governo do Malawi, sendo que a África do Sul disponibilizou dez veículos adicionais, indicou o comité.

A África do Sul é uma das economias mais ricas do continente e atrai há muito tempo, de forma legal e ilegal, trabalhadores migrantes de toda a região.

Com uma taxa de desemprego superior a 30% atualmente, o país enfrenta episódios recorrentes de violência xenófoba, com novos e graves incidentes nas últimas semanas.

Multidões de sul-africanos armados com paus, chicotes e escudos têm-se manifestado em algumas regiões do país, exigindo que os estrangeiros sem documentos legais saiam antes de 30 de junho.

As tensões aumentaram após a morte de dois moçambicanos, segundo as autoridades locais, na sequência de uma marcha organizada a 29 de maio contra migrantes em situação irregular na cidade de Mossel Bay, na província do Cabo Ocidental. As autoridades moçambicanas referem, no entanto, cinco mortos.

O Governo moçambicano admitiu na terça-feira preocupação com o “recrudescimento do discurso anti-imigração” na vizinha África do Sul, receando o agravamento da situação até final do mês, após o regresso de 714 cidadãos a Moçambique nos últimos dias.

Mais de três milhões de estrangeiros vivem na África do Sul, o que representa 5,1% da população, de acordo com o instituto nacional de estatística.

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