Covid-19: Boris Johnson assume responsabilidade mas recusa pedir desculpa a lares de idosos

Lusa

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, assumiu hoje a responsabilidade por erros cometidos na luta contra a pandemia da covid-19, mas recusou pedir desculpa por ter dito que alguns lares de idosos não cumpriram os procedimentos.

"A última coisa que quero fazer é culpar os cuidadores pelo que aconteceu, ou que pensem que os estava a culpar, porque eles trabalharam muito arduamente durante esta crise a tomar conta de algumas das pessoas mais vulneráveis deste país. Tragicamente 257 deles [cuidadores] morreram. Eu assumo a total responsabilidade pelo que aconteceu”, disse hoje, durante o debate semanal no parlamento.

Johnson foi confrontado repetidamente pelo líder do Partido Trabalhista, Keir Starmer, o principal partido da oposição, com as declarações feitas na segunda-feira, que motivaram críticas de vários responsáveis do setor.

"Descobrimos que muitos lares de idosos não seguiram os procedimentos da maneira que poderiam, mas estamos sempre a aprender”, afirmou o primeiro-ministro na segunda-feira.

Starmer disse que “é muito doloroso para muitas pessoas na linha da frente e para aqueles que perderam próximos ter a pessoa mais importante do país a culpá-los pelo que tem sido uma fantochada de liderança do Governo. É chocante”.

De acordo com o instituto de estatísticas britânico ONS, morreram cerca de 20 mil residentes de lares de idosos em Inglaterra durante a pandemia, quase metade dos 44.391 óbitos registados a nível nacional até terça-feira.

O líder trabalhista denunciou a “falta de orientações no início, avisos do setor, atrasos na disponibilização de equipamento de proteção e testes” e vincou que “a decisão de dar alta a 50 mil pacientes de hospitais para [serem transferidos para] lares de idosos foi simplesmente um erro”.

"O governo dele foi simplesmente demasiado lento a agir”, argumentou Starmer.

Johnson defendeu o Governo, alegando que “o conhecimento sobre a doença mudou dramaticamente ao longo dos meses” e que "ninguém sabia no início desta pandemia que o vírus estava a ser transmitido de forma assintomática entre pessoas da maneira que está, e é por isso que as orientações e procedimentos mudaram”.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 539 mil mortos e infetou mais de 11,69 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.