O que é, afinal, a peste negra que agora se voltou a falar?

Redação

A peste bubónica, ou peste negra como é também conhecida, matou milhões de pessoas na Idade Média, quando não havia antibióticos ou vacinas. Por ano, milhares de casos são notificados e é uma doença grave e fatal, sobretudo se a bactéria se espalhar no corpo humano. Mas, afinal, o que é esta doença e como se propaga?

Dizem os historiadores que a peste negra teve a sua origem no continente asiático, precisamente na China.

A sua chegada à Europa esteve relacionada com os comerciantes que vinham da Ásia através do Mar Mediterrâneo e aportavam nas cidades costeiras europeias, como Veneza e Génova.

Estima-se que cerca de um terço da população europeia tenha morrido no século XIV por conta desta doença.

A propagação da doença deu-se, inicialmente, por meio de ratos e pulgas infetados com a bactéria Yersinia pestis, que acabava sendo transmitido às pessoas quando essas eram mordidas ou picadas.

Numa fase mais avançada, a doença acabou por se propagar por via aérea, por meio de espirros e gotículas, tal como acontece agora com o novo coronavírus.

De salientar que, contribuíam para a propagação desta temível doença as precárias condições de higiene e habitação em que as pessoas viviam.

Além disso, como a ciência médica estava muito pouco desenvolvida nesta época, as causas da peste e as formas de tratá-la eram escassas e a mortalidade elevadíssima.

Aliás, a denominação “negra” foi dada por conta das afecções na pele da pessoa afetada. A doença provocava grandes manchas negras na pele, seguidas de inchaços em regiões de grande concentração de gânglios do sistema linfático, como a virilha e as axilas.

A morte pela peste era conhecida por ser dolorosa e rápida, pois variava de dois a cinco dias após a infeção.

Um dado curioso, e que vem explicar as imagens relacionadas com a peste negra, é o facto dos médicos na Idade Média se vestirem de maneira estranha. Para além de andarem cobertos da cabeça aos pés, usavam máscaras que tinham a aparência de um longo bico de pássaro. A inagem foi retratada e replicada por diversos artistas. Embora estas figuras estivessem presentes em toda a Europa, o enigmático visual ganhou mais destaque na Itália, local onde, mais tarde, a figura de médico da peste se tornou uma fantasia do carnaval.

Milhares de casos de peste bubónica são notificados todos os anos

Em declarações à Lusa a propósito dos casos reportados na China, o infeciologista Jaime Nina, do Instituto de Higiene e Medicina Tropical, explicou que, na ausência de antibióticos e quando uma pessoa é infetada e o organismo não consegue travar a disseminação da bactéria, em cerca de metade dos casos dá uma infeção fulminante e morte.

O especialista frisou que a doença só se transmite entre animais, pela pulga de roedores, como ratos selvagens.

É uma doença endémica, ou seja, existe regularmente em várias partes do mundo, como a Ásia Central, Sul da Rússia, China Ocidental, Irão, e também no México, no sudoeste dos Estados Unidos e em certas zonas de África.

Segundo Jaime Nina, nos últimos 10 anos, dois terços a três quartos dos casos são notificados em Madagáscar: “É o foco mais ativo da peste”.

Sintomas e tratamento

De acordo com um artigo publicado pela BBC, uma pessoa geralmente mostra sintomas de peste bubónica entre dois e seis dias após a infeção.

Juntamente com os linfonodos aumentados e sensíveis, que podem ser do tamanho de um ovo de galinha, outros sintomas incluem febre, calafrios, dores de cabeça, dores musculares e cansaço.

A doença também pode afetar os pulmões, causando tosse, dor no peito e dificuldade em respirar.

As bactérias também podem entrar na corrente sanguínea e causar septicemia, que pode levar a danos nos tecidos, falência de órgãos e morte.

Por isso, o tratamento imediato com antibióticos é vital. O diagnóstico precoce pode salvar vidas.