Covid-19: UE denuncia notícias falsas sobre pandemia com “fins geopolíticos”

Lusa

A União Europeia (UE) denunciou hoje a proliferação de notícias falsas relacionadas com a pandemia da covid-19 que visam, através de um “aproveitamento da crise de saúde pública”, promover “interesses geopolíticos”.

“A desinformação em torno da covid-19 continua a proliferar em todo o mundo, com consequências potencialmente prejudiciais para a saúde pública e para a comunicação em altura de crise”, observa numa análise hoje publicada o grupo de trabalho do Serviço Europeu de Ação Externa da UE contra as ‘fake news’.

“Na UE e noutros locais, as mensagens falsas coordenadas procuram atingir as minorias, classificando-as como a causa da pandemia, e alimentar a desconfiança na capacidade das instituições democráticas”, considera aquele serviço da UE.

Segundo o grupo de trabalho East StratCom, criado em 2015 para combater a desinformação russa, “alguns atores estatais e apoiados pelo Estado procuram aproveitar-se da crise de saúde pública para promover interesses geopolíticos, muitas vezes desafiando diretamente a credibilidade da UE e dos seus parceiros”.

Nesta análise, que tem por base factos publicados entre 20 e 27 de março, a equipa East StratCom chegou à conclusão que “as alegações de que a UE se está a desintegrar devido à covid-19 são uma tendência nas redes sociais”.

Já nos meios de comunicação pró-Kremlin (a favor do regime russo), como o canal RT ou a agência noticiosa Sputnik, este grupo de trabalho encontrou “artigos que abordam narrativas de conspiração” relativas a todo o mundo, relatando, por exemplo, “’o vírus ter sido criado pelo homem’ ou que ‘foi espalhado intencionalmente’”.

Na análise hoje publicada, quando se assinala o designado Dia das Mentiras, a East StratCom aponta que, no seio da UE, foram detetados “falsos conselhos de saúde” sobre a pandemia, nomeadamente de que “lavar as mãos não ajuda”.

Estão também a circular na internet “narrativas contra a UE”, nomeadamente que “não está a lidar com a pandemia e que está prestes a entrar em colapso”, que “a UE é egoísta e trai os seus próprios valores”, que “a Rússia e a China são potências responsáveis” pela covid-19 e ainda que “a UE está a explorar a crise para promover os seus próprios interesses”.

Ainda assim, segundo esta equipa, “as evidências mostram que as plataformas ‘online’ continuam a monitorizar as teorias de desinformação e conspiração relacionadas com a covid-19”, como se comprometeram com a Comissão Europeia.

De acordo com a East StratCom, em África, “as campanhas de ódio contra grupos sociais e étnicos estão a tornar-se virais nalguns países”.

Já quanto à desinformação vinda da Rússia, o grupo de trabalho fala em mais de 150 casos de notícias falsas desde o início do surto, em final de janeiro passado.

Ainda assim, observa que, nos últimos dias, “os meios de comunicação estatais russos mudaram o seu foco para destacar a preparação da Rússia para enfrentar o surto”, dando ainda uma “ampla cobertura” à ajuda russa prestada a Itália, o país da UE mais afetado pela pandemia.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou perto de 866 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 43 mil.

Dos casos de infeção, pelo menos 172.500 são considerados curados.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

O continente europeu, com mais de 468.000 infetados e mais de 31.000 mortos, é aquele onde se regista o maior número de casos.