Salvini insiste que defendeu Itália ao bloquear migrantes no Mediterrâneo

Lusa

O ex-ministro italiano Matteo Salvini, investigado por ter bloqueado migrantes no Mediterrâneo, insistiu hoje que defendeu Itália com tal decisão, a poucos dias do Senado determinar se o político irá comparecer diante dos tribunais.

“É uma loucura, não sei quanto custa em termos de pessoal e de dinheiro demonstrar que sou um criminoso, mas não tenho medo e explicarei que defendi o meu país”, afirmou o ex-ministro do Interior e líder do partido de extrema-direita Liga, numa entrevista publicada no diário italiano La Stampa.

Na quarta-feira, o Senado (câmara alta do parlamento italiano) irá votar e determinar se o ex-ministro do Interior, investigado por ter impedido o desembarque de 131 migrantes em julho de 2019, deve comparecer diante dos tribunais pelo sequestro destas pessoas, que foram mantidas a bordo de um navio da Guarda Costeira italiana durante cinco dias no Mediterrâneo.

O líder da extrema-direita italiana assegura que aplicou a sua “política de portos fechados” para tentar pressionar o resto dos estados-membros da União Europeia (UE) a aceitar a realocação destas pessoas.

Em janeiro, e por instrução do próprio Matteo Salvini, a Liga votou na Junta de Imunidade Parlamentar do Senado a favor de permitir o julgamento do político, uma estratégia do partido de extrema-direita que, segundo referiu então a imprensa, visava ganhar notoriedade e votos antes das eleições regionais em Emília-Romanha.

A Liga acabaria por perder na região de Emília-Romanha contra o Partido Democrata (centro-esquerda).

A votação na Junta não é vinculativa e a decisão final cabe apenas ao Senado.

Matteo Salvini encontra-se atualmente na oposição, depois de ter abandonado em agosto passado a aliança governamental que mantinha com o Movimento 5 Estrelas (M5S, antissistema), numa tentativa fracassada de provocar eleições gerais antecipadas em Itália.

O M5S e PD acabariam por unir forças para dirigir o país e impedir a subida ao poder de Salvini, uma vez que as sondagens atribuíam na altura ao líder da extrema-direita 36% das intenções de voto.