Banco Mundial empresta 3 mil milhões de dólares para redes de energia na Nigéria

Lusa

O Banco Mundial vai emprestar 3 mil milhões de dólares à Nigéria para a maior economia africana desenvolver redes de transmissão e distribuição no setor elétrico, disse hoje o ministro das Finanças nigeriano.

"É provável que tenhamos um financiamento de 3 mil milhões de dólares [2,70 mil milhões de euros] a ser disponibilizado em quatro tranches de 750 milhões de dólares; o nosso objetivo é termos o plano aprovado para podermos receber a primeira tranche em abril de 2020", disse Hajiya Zainab Ahmed, citado pela imprensa nigeriana.

Comentando a decisão, o vice-presidente da agência de notação financeira Moody's com o pelouro das infraestruturas disse que "a decisão vai contribuir para a melhoria da geralmente fraca rede de transmissão de energia às habitações e empresas e vai melhorar o acesso das pessoas à eletricidade, atualmente nos 50%".

Para Christopher Bredholt, no entanto, a Nigéria tem ainda muito caminho a percorrer no setor da energia: "Os desafios mais longo prazo continuam, incluindo a implementação de tarifas que reflitam realmente o custo, a diversificação para as energias renováveis, o aumento da participação do setor privado e o fortalecimento da moldura das instituições reguladoras", afirmou.

O Banco Mundial pretende tirar 100 milhões de nigerianos da pobreza, ou seja, metade da população, com um ênfase especial na educação das mulheres, na expansão das oportunidades digitais e na resolução da crise energética que prejudica o desenvolvimento da atividade económica.

No ano passado, a Nigéria já recebeu 2,4 mil milhões de dólares [21,8 mil milhões de euros] do Banco Mundial, mas são ainda insuficientes para compensar a quebra das receitas fiscais na sequência da descida do preço do petróleo.

A descida nas receitas obrigou o Governo do Presidente Muhammadu Buhari a aumentar o endividamento interno para 55,6 mil milhões de dólares (50,6 mil milhões de euros) e a dívida ao estrangeiro a chegar aos 25,6 mil milhões de dólares (23,2 mil milhões de euros).

Para responder ao aumento do peso da dívida, a Nigéria, tal como outros produtores de petróleo em África, como Angola, tem tentado recorrer a financiamento concessional de instituições financeiras multilaterais, como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Africano de Desenvolvimento, que praticam juros menores e oferecem maturidades mais alargadas.

A Nigéria deve crescer, segundo o Banco Mundial, 2,1% este ano, abaixo das previsões do Governo, que aponta para uma expansão de 3%.