ONU alerta que anexação parcial da Cisjordânia seria devastadora

A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou hoje que a anexação parcial da Cisjordânia, prometida pelo primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, seria devastadora para a “relançar as negociações” entre Israel e a Palestina.

“Essa perspetiva seria devastadora para a possibilidade de relançar as negociações, a paz regional e uma solução para os dois Estados” – Israel e Palestina -, disse o porta-voz da ONU Stéphane Dujarric, citado pela agência France Presse (AFP), após o anúncio de Netanyahu.

De acordo com este responsável, todas as decisões israelitas que visem impor as suas leis, jurisdição ou administração à Cisjordânia “não terão um efeito internacional legal”.

Questionado sobre a posição do secretário-geral da ONU, António Guterres, face a este assunto, o porta-voz da organização esclareceu que, para o antigo primeiro-ministro português, “ações unilaterais não contribuem para o processo de paz”.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, prometeu hoje anexar uma parte da Cisjordânia ocupada se for reeleito nas legislativas de 17 de setembro, depois de nas eleições de abril ter prometido anexar alguns colonatos.

“Hoje anuncio a minha intenção de aplicar, num futuro governo, a soberania de Israel sobre o vale do Jordão e a parte norte do mar Morto”, declarou Netanyahu durante uma conferência de imprensa em Ramat Gan, perto de Telavive.

O vale do Jordão representa cerca de 30% da Cisjordânia, território palestiniano ocupado por Israel desde 1967.

O anúncio de Netanyahu ocorre a exatamente uma semana da votação num escrutínio que se prevê muito disputado.