Amazónia: Líderes católicos da América Latina manifestam preocupação

Lusa

A presidência do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM), órgão do Vaticano, manifesta hoje em comunicado a sua preocupação com os incêndios que estão a ocorrer nos últimos dias na Amazónia.

Na nota, que tem o título "Levantamos a voz pela Amazônia", os representantes da Igreja Católica na América Latina frisam a sua "preocupação perante a gravidade desta tragédia, que não é apenas de impacto local ou mesmo regional, mas de proporções planetárias".

O texto também recorda que o Sínodo Amazónico, convocado pelo Papa Francisco, "está agora manchado pela dor desta tragédia natural”.

“Aos irmãos povos indígenas que habitam este amado território, expressamos toda a nossa proximidade e unimos a nossa voz à sua para clamar ao mundo por solidariedade e chamar a atenção para acabar com esta devastação", salientam.

Os líderes da CELAM dizem lamentar também que na selva amazónica se tenha desencadeado uma profunda crise por causa de uma prolongada intervenção humana, onde predomina “uma cultura do descarte e uma mentalidade extrativista”.

"A Amazónia é uma região com uma rica biodiversidade, é multiétnica, pluricultural e plurirreligiosa, espelho de toda a Humanidade que, em defesa da vida, exige mudanças estruturais e pessoais de todos os seres humanos, dos Estados e da Igreja", lê-se no comunicado.

Os líderes católicos latino-americanos exortam ainda os Governos dos países da região amazónica, especialmente o Brasil e a Bolívia, as Nações Unidas e a comunidade internacional a adotarem “medidas sérias” para salvar a maior floresta tropical do planeta.

A declaração foi assinada pelo presidente do CELAM, Miguel Cabrejos Vidarte, arcebispo de Trujillo, Peru; pelo primeiro vice-presidente, arcebispo de São Paulo, Brasil, cardeal Odilo Pedro Scherer, pelo segundo vice-presidente, arcebispo de Manágua, Nicarágua e outros representantes da igreja católica na América Latina.

O número de incêndios no Brasil aumentou 83% este ano, em comparação com o período homólogo de 2018, com 72.953 focos registados até 19 de agosto, sendo a Amazónia a região mais afetada.

A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta.

Tem cerca de 5,5 milhões de quilómetros quadrados e inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (pertencente à França).

O Presidente francês, Emmanuel Macron, apelou para que os incêndios na Amazónia sejam discutidos na cimeira do G7, que se realiza este fim de semana, em Biarritz, sudoeste de França, por se tratar de uma "crise internacional".

Participam na cimeira os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos da América, França, Itália, Japão e Reino Unido.

Também o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, se mostrou "profundamente preocupado" com os incêndios numa das "mais importantes fontes de oxigénio e biodiversidade", referindo que a Amazónia "deve ser protegida".

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) brasileiro anunciou que a desflorestação da Amazónia aumentou 278% em julho, em relação ao mesmo mês de 2018.