Pelo menos quatro mortos em atentado com veículo armadilhado no leste da Líbia

Lusa

Pelo menos quatro pessoas morreram e outras 33 ficaram feridas num atentado com um veículo armadilhado ocorrido hoje num cemitério em Benghazi (leste da Líbia), durante o funeral de um antigo militar, segundo fontes oficiais locais.

Um porta-voz do Ministério do Interior da fação política que controla o leste da Líbia precisou que o veículo armadilhado explodiu perto de um grupo de oficiais do Exército Nacional Líbio, as forças leais ao marechal Khalifa Haftar, a figura forte daquela região que disputa o poder daquele país, atualmente imerso num caos político e securitário.

O porta-voz do ministério, Tarek El-Kharraz, informou que o atentado matou dois civis e dois militares e que entre os feridos encontram-se civis, militares e elementos da polícia.

Segundo a mesma fonte, nenhuma das altas patentes do Exército Nacional Líbio morreu ou ficou ferida no ataque.

O porta-voz explicou que várias figuras importantes do Exército Nacional Líbio, incluindo o comandante das forças especiais, estavam reunidas no local para assistir ao funeral de um antigo líder militar quando ocorreu a explosão.

O atentado não foi, até ao momento, reivindicado.

Este ataque foi o primeiro em mais de um ano no reduto das forças lideradas por Haftar.

O Exército Nacional Líbio avançou, em abril passado, com uma ofensiva contra Tripoli, sede do governo de acordo nacional líbio estabelecido em 2015 e reconhecido pela ONU.

Leal ao marechal Haftar, o Exército Nacional Líbio é a maior e a mais bem organizada das muitas milícias que existem no território líbio e conta com o apoio do Egito, dos Emirados Árabes Unidos e da Rússia.

No entanto, e nos últimos três meses, as forças de Haftar têm enfrentado uma forte resistência por parte de outras milícias informalmente alinhadas com o governo reconhecido pela ONU e com sede em Tripoli, que conta com o apoio de países como a Turquia e o Qatar.

Um balanço recente da Organização Mundial de Saúde (OMS, agência da ONU) indicou que os confrontos entre as fações rivais na zona da capital líbia já mataram 1.048 pessoas, incluindo 106 civis, e feriram outras 5.558, das quais 289 civis.

Bastião da revolução líbia de 2011, que ditou a queda do regime de Muammar Kadhafi, Benghazi foi num passado recente uma cidade particularmente afetada pela violência, atos que tinham como alvos, entre outros, representações diplomáticas e as forças de segurança.

Um ataque ao consulado norte-americano, ocorrido a 11 de setembro de 2012, matou o então embaixador dos Estados Unidos na Líbia Christopher Stevens e três outros norte-americanos.

O último ataque perpetrado nesta cidade matou sete pessoas em maio de 2018.