Venezuela: Juan Guaidó quer mais pressão democrática contra o Governo de Nicolás Maduro

Lusa

O líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó, pediu hoje aos países que o apoiam para que façam mais pressão democrática contra o Governo do Presidente Nicolás Maduro, para que decida abandonar o poder pacificamente ou pelo uso da força.

"Há que passar da retórica à pressão diplomática. Temos de ir mais além, para pressionar uma ditadura que está a fazer danos”, disse Juan Guaidó à VPI TV.

O presidente do parlamento venezuelano frisou ainda que "são eles [Governo] que por terem o poder sequestrado, que vão decidir se a transição será feita pela força ou se abrem as portas” para refundar as instituições.

"Ou cessa a usurpação e vamos a um Conselho Nacional Eleitoral independente e a uma transição democrática ou também nós optaremos pela cooperação [internacional] e pelo uso da força, porque há suficientes militares descontentes para avançar", garantiu.

Quanto aos encontros mantidos entre a oposição e Governo, com a mediação da Noruega, explicou que "não é um diálogo".

"O Grupo de Contacto diz que quer facilitar umas eleições e a Noruega quer mediar para conseguir uma solução política. Nós fomos [à Noruega] com uma exigência muito clara: que cesse a usurpação, um governo de transição e eleições livres", declarou.

Guaidó adiantou que também houve contactos com a China, mas que "o diálogo verdadeiro" será o que levar a eleições livres, enquanto se garante ajuda humanitária.

Segundo o opositor, Nicolás Maduro "está de saída porque não governa, não tem como pôr água, luz, nem sequer gasolina num país petrolífero".

A crise política na Venezuela agravou-se em 23 de janeiro, quando Juan Guaidó jurou assumir as funções de Presidente interino e prometeu formar um Governo de transição e organizar eleições livres.

Na madrugada de 30 de abril, um grupo de militares manifestou apoio a Juan Guaidó, que pediu à população para sair à rua e exigir uma mudança de regime, mas não houve desenvolvimentos na situação até ao momento.

Nicolás Maduro, 56 anos, no poder desde 2013, denunciou as iniciativas do presidente do parlamento como uma tentativa de golpe de Estado liderado pelos Estados Unidos.

À crise política na Venezuela soma-se uma grave crise económica e social, que já levou a quase 3 milhões de pessoas a fugirem do país desde 2015, de acordo com dados das Nações Unidas.