Brexit: Politólogos céticos sobre entendimento entre governo e oposição que evite eleições europeias

Lusa

Um entendimento entre os partidos Conservador e Trabalhista sobre o 'Brexit' que evite a realização das eleições europeias de maio no Reino Unido é improvável, acreditam dois politólogos britânicos.

Embora admita que "não se pode dizer nada sobre o ‘Brexit' com 100% de certeza", Sara Hobolt, especialista em política europeia na universidade London School of Economics (LSE), entende que não é do interesse do principal partido da oposição ajudar o governo de Theresa May.

"Muitos deputados pensam que já não existe risco de uma saída sem acordo, por isso qual é o incentivo? Mesmo que o ‘Brexit' aconteça, eles não querem ser responsáveis porque o que querem é eleições legislativas e poder dizer: aquele é um mau acordo, um mau ‘Brexit', nós podemos fazer muito melhor", disse hoje, num encontro com jornalistas.

Apoiar o Acordo de Saída negociado pelo governo, e chumbado três vezes no parlamento, compromete o partido, pelo que "o ‘Labour' teria de conseguir uma vitória muito significativa nas negociações como, por exemplo, a união aduaneira", acrescentou.

Tony Travers, professor de política também na LSE, aludiu para o facto de o próprio governo britânico ter reduzido os planos para a eventualidade de uma saída sem acordo a 31 de maio, o que aconteceria se o país não realizasse eleições europeias.

A decisão foi tomada na sequência do Conselho Europeu de 10 de abril, quando os líderes europeus decidiram prorrogar a data de saída do Reino Unido da União Europeia (UE) para 31 de outubro, com a condição de continuar a cumprir as obrigações enquanto Estado membro.

"Se o Reino Unido ainda for um Estado-Membro em 23-26 de maio de 2019 e se não tiver ratificado o Acordo de Saída até 22 de maio de 2019, estará obrigado a realizar as eleições para o Parlamento Europeu em conformidade com o direito da União. Na eventualidade de essas eleições não serem realizadas no Reino Unido, a prorrogação deverá cessar em 31 de maio de 2019", refere nas conclusões o Conselho Europeu.

As negociações entre o governo britânico e a oposição trabalhista para um compromisso sobre o ‘Brexit' iniciadas há quase duas semanas vão continuar esta semana, para "fazer um balanço", após a Páscoa, disse à BBC, no domingo, o ministro do Gabinete, David Lidington.

O objetivo é "fazer um balanço da situação" quando o parlamento retomar os trabalhos a 23 de abril, sugerindo que, se não for alcançado um compromisso com a oposição, o Governo apresentará no parlamento uma série de opções sobre o ‘Brexit', obrigando aquele órgão a tomar decisões, “em vez de votar contra tudo".

A primeira-ministra britânica reiterou na semana passada que mantinha a ambição de sair da UE antes das eleições europeias, porém, por precaução, o governo britânico aprovou a legislação e marcou o escrutínio para 23 de maio.