Cardeal venezuelano desafia portugueses a não desesperar e a expandir mensagem de Fátima

Lusa

O cardeal de Mérida, Baltazar Porras, instou hoje a comunidade portuguesa radicada na Venezuela a não desesperar perante a crise, a promover o perdão e a expandir a mensagem de Fátima.

"Não é o momento para o desespero, para retrocedermos, mas, pelo contrário, para ter essa coragem e valentia, como tiveram aquelas crianças [os três pastores de Ourém], de pregar essa paz com o seu exemplo, inocência cristalina e transparente, que tem significado tanto para todo o mundo ao longo destes cem anos, e agora nesta realidade que vivemos", disse.

Baltazar Porras falava para centenas de portugueses que hoje acorreram ao Centro Português de Caracas, para participar numa missa e procissão em honra de Nossa Senhora de Fátima e para assinalar o centenário das "aparições".

"Não podemos deixar que nos roubem a alegria, a esperança e esse espírito evangelizador. Sejamos semeadores, cada um, da responsabilidade que temos, perante o que desde as últimas semanas estamos vivendo, não para estar contra, mas a favor da vida, da qualidade de vida, da convivência que tem de ser fraterna, desse sentido de pluralidade que hoje em dia é tão necessário", disse.

O cardeal apelou ainda a que todos se respeitem "uns aos outros" e a ver que cada um se pode completar, sendo capaz de abrir os olhos e ver que quem está à sua frente "não é o inimigo, o adversário, é outra pessoa", tirando assim "do coração toda a violência e ódio", de modo "a colocar em primeiro lugar a reconciliação e o perdão".

"Foram vocês, os que vieram daquela terra abençoada [Portugal], os que têm semeado essa semente desta devoção estendida hoje por todo o mundo e por isso sejamos como peregrinos, tal como todos os que estão junto ao papa, celebrando essa formosíssima festa do centenário em que essa mensagem de Fátima continua a ter uma grande presença, uma grande atualidade para todos nós", frisou.

Segundo Baltazar Porras, "a verdade é a que brilha e é a que faz possível aquela mensagem de paz, de reconciliação, de superação da guerra, de tudo o que significa o fanatismo, que sempre traz pobreza e cria maior ódio entre todos".

"É uma mensagem que temos de levar mais no coração, porque é o que nos pedem neste momento (...). Sejamos semeadores de paz, na busca dessa justiça e do líder que tanto desejamos", disse.

"Por outro lado, recordo a responsabilidade dos católicos para com as novas gerações", para que "possam ser também luz, para que possam semear, fazer presente o que nos faz falta, no meio do que nos querem tirar, da possibilidade de viver como irmãos, de compartilhar, de ter serenidade de espírito".

"Vemos como a morte nos espreita como se fosse algo a que teremos de habituar-nos. Não nos habituemos ao mal, a deixar-nos levar pela cobardia que muitas vezes pode haver em nós. Isso não significa ir para a rua por qualquer coisa, mas sim o que podemos semear no coração de cada um de nós, da nossa família, no trabalho - uma responsabilidade que temos, porque nos diz respeito", afirmou.