UA pede combate conjunto contra causas económicas e políticas do terrorismo

Lusa

O comissário da União Africana para a Paz e Segurança, Smaïl Chergui, lamentou hoje a "progressão do terrorismo" na região do Sahel, apelando para uma resposta conjunta na luta contra as suas causas, nomeadamente económicas e políticas.

"O terrorismo está em progressão", disse Smaïl Chergui durante uma conferência de imprensa na capital da Etiópia, onde prossegue hoje a 32.ª cimeira da União Africana.

Evocando particularmente o caso do Burkina Faso, o diplomata adiantou que o país é confrontado "quase diariamente com ataques criminosos e terroristas".

"Os movimentos terroristas multiplicam-se, afetando as populações civis e as instituições do país", acrescentou.

Segundo o comissário para a Paz e Segurança, a combinação de ataques com os conflitos interétnicos bem como os conflitos entre comunidades pastoris e agrícolas "atingem um nível de violência sem precedentes".

"O Sahel vive uma situação sem precedentes em matéria de desafios de segurança", sublinhou.

Abordando as discussões da assembleia da UA durante a cimeira, o diplomata argelino indicou que foi alcançado um consenso sobre a necessidade de "concentrar os esforços para encontrar uma resposta global a este fenómeno".

"É preciso não só uma resposta militar e de segurança, mas também assegurar que ninguém é deixado para trás em termos de desenvolvimento, de compromisso político e de justiça", sustentou, sublinhando a importância de promover o emprego entre os jovens.

As declarações de Smaïl Chergui estão em linha com o compromisso assumido pelo novo presidente em exercício da União Africana, o chefe de Estado egípcio Abdel Fattah al-Sisi, que, no domingo, durante o discurso de tomada de posse, apelou para a luta contra as causas do terrorismo.

O responsável do Conselho de Paz e Segurança lamentou, por outro lado, as dificuldades de financiamento da força G5 Sahel (Burkina Faso, Mali, Mauritânia, Níger, Chade).

"As tropas estão prontas, mas faltam equipamentos", assegurou.

Os grupos terroristas deslocaram-se nos últimos anos, devido à intervenção militar francesa, do Norte para o Centro do Mali, estendendo a sua atuação aos vizinhos Burkina Faso e Níger, envolvendo-se frequentemente nos conflitos entre comunidades daquela zona.

O Chade vive igualmente debaixo de ameaças de destabilização das suas fronteiras, particularmente no Oeste com a insurreição do grupo islamista Boko Haram.

Chefes de Estado e de Governo dos 55 países da União Africana cumprem hoje o segundo e último dia de cimeira, em Adis Abeba.

No domingo, durante a sua intervenção na abertura da cimeira, o secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, agradeceu aos países africanos e à Comissão da União Africana o apoio às operações de paz.

Guterres lembrou que os países africanos fornecem quase metade de todas as tropas de paz da ONU e reconheceu o sacrifício de soldados africanos na missão da União Africana na Somália, na força conjunta do G5, que combate o terrorismo na região do Sahel, e na Força-Tarefa Conjunta Multinacional na Bacia do Lago Chade, criada para restaurar a segurança em áreas afetadas pelo grupo terrorista Boko Haram.

O secretário-geral da ONU defendeu que "para serem totalmente eficazes, essas operações precisam de mandatos robustos do Conselho de Segurança e financiamento previsível e sustentável, incluindo contribuições fixas”.