Conferência de Bruxelas condena uso de armas químicas

Lusa

As mais de 70 delegações à conferência de Bruxelas de apoio à Síria condenaram hoje o presumível ataque químico no norte da Síria e apelaram à comunidade internacional que se mobilize para a reconstrução do país devastado.

Os representantes de países e de organizações internacionais “condenaram a utilização de armas químicas pelo governo e pelo Daesh”, uma das formas como é designado o grupo extremista Estado Islâmico, e “o ataque a Khan Sheikhun”, afirmou a chefe da diplomacia da União Europeia, Federica Mogherini.

Khan Sheikun, no noroeste da Síria, foi alvo na terça-feira de um ataque que fez pelo menos 72 mortos, entre os quais 20 crianças. Rebeldes e especialistas em armamento afirmam haver fortes indícios de terem sido usadas armas químicas.

“O uso de armas químicas, por quem quer que seja, onde quer que seja, deve cessar imediatamente”, afirmou Mogherini, ao lado do secretário-geral da ONU, António Guterres.

A oposição síria responsabiliza o regime pelo ataque, mas Damasco nega e a Rússia, aliada do governo sírio, argumenta que aviões sírios bombardearam a cidade com armamento convencional que atingiu um depósito de substâncias tóxicas dos rebeldes.

Os Estados Unidos, o Reino Unido e França responsabilizaram o regime de Bashar al-Assad e apresentaram hoje um projeto de resolução, numa reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, pedindo um inquérito, texto que a Rússia já rejeitou.

“Estes acontecimentos horríveis mostram infelizmente que continuam a ser cometidos crimes de guerra na Síria”, disse António Guterres, manifestando-se “confiante em que o Conselho de Segurança assumirá as suas responsabilidades”.

A guerra na Síria trava-se há seis anos e já fez quase 400.000 mortos e milhões de refugiados, a maioria dos quais acolhida pelos países vizinhos.

A conferência de Bruxelas tem por objetivo angariar ajuda humanitária para a Síria e lançar os trabalhos preparatórios para a reconstrução do país após um acordo de paz.

A conferência realizada no ano passado em Londres reuniu mais de 11 mil milhões de euros – 5 mil milhões para 2016 e 6 mil milhões para o período entre 2017-2020.

As “necessidades imediatas”, em 2017, ascendem, segundo a ONU, a 7,5 mil milhões de euros, embora a ajuda só possa chegar aos que dela necessitam com um cessar-fogo.

A UE quer manter-se como principal doador, tendo prometido 560 milhões de euros para 2018 para a Síria, Líbano e Jordânia e outros 6 mil milhões até 2020 para os refugiados sírios na Turquia.